Em recente entrevista à IGN, Shinji Mikami, a mente criativa por trás de Resident Evil e diretor de The Evil Within, o ex-funcionário da Capcom falou sobre o gênero survival horror, e por que Resident Evil 4 se tornou mais focado em ação do que o planejado inicialmente.

Quando perguntado como The Evil Within retornará às origens do survival horror, ele disse que “o survival horror tornou-se popular, então várias pessoas tem feito jogos nessa área. Mas o gênero se tornou algo mais voltado para a ação. Para mim, o survival horror é um equilíbrio entre um gameplay assustador e o desafio de superar esse medo. Tem-se uma sensação de dever cumprido disso. O equilíbrio perfeito entre esses dois é o que forma o survival horror. Estamos vendo esse tipo de jogo cada vez menos, então quero voltar e fazer o que creio ser um verdadeiro survival horror.”

Porém o survival horror mudou significativamente nos últimos 17 anos e adotou mais o gênero de ação. Em um jogo como Resident Evil, as limitações em itens e munição criavam um bloqueio para alguns jogadores. Talvez a razão para que o gênero se tornasse mais voltado para ação foi justamente que um jogo com um orçamento alto precisa de um grande público – precisa que muitas pessoas possam jogar esse jogo e terminá-lo. Existe uma maneira de equilibrar isso?

“É algo que estamos observando… Tenho olhado para o survival horror há um bom tempo. Não acho que seja especificamente porque os desenvolvedores querem abranger um público maior. Acredito que eles querem deixar seus jogos mais divertidos, e se conseguem alcançar mais e mais com isso, naturalmente eles vão incluir mais ação,” explicou Mikami.

“Se quer manter uma franquia de terror, você precisa trabalhar com pessoas que realmente gostam de jogos de terror. Se trouxer desenvolvedores de outras áreas, você acabará com um jogo mais voltado para a ação. Com Resident Evil 4, eu quis fazer um jogo mais de ação – o 5 e o 6 estavam fora da minha responsabilidade, claro – mas com RE2 e 3, essa não foi necessariamente a intenção com a qual iniciei. Naturalmente, eles se tornaram jogos de ação. Suspeito que Dead Space tenha seguido o mesmo caminho. Ele naturalmente teve mais ação. Quando os desenvolvedores pensam nos jogadores… Não acho que é o caso que eles tenham pensado ‘Ok, se quisermos vender 4 milhões de unidades ao invés de 2 milhões, precisamos de mais ação.’ É um processo mais intuitivo que isso.”

Resident Evil Remake, exclusivo do GameCube, foi um dos últimos jogos feito por Mikami que continha limitações de movimento, inventário e câmera. O survival horror pode voltar a isso? “É possível que eu faça esse tipo de jogo. RE Remake é, na verdade, um dos meus favoritos da série. Mas não vendeu muito bem,” disse Mikami. “Talvez não houvesse tantas pessoas prontas para aceitar isso. Devido à reação ao RE Remake, decidi incluir mais ação em RE 4. RE 4 seria um jogo mais assustador, focado no terror, caso o Remake tivesse vendido bem.”

Mesmo com a mudança na direção, RE 4 conseguiu redefinir o que a palavra “survival” significa em survival horror. “Com Resident Evil 1, 2, 3, e todos os outros da série antes de RE 4, eu sempre dizia para a equipe ‘assustar o jogador é o objetivo número 1’. Mas pela primeira vez, em RE 4, disse à equipe que o gameplay mais divertido é a coisa mais importante. É isso que disse. A segunda coisa seria nada. E então, a terceira, seria ser assustador. Foi isso que disse à equipe. Isso tudo veio da falha comercial de RE Remake. E então, é claro, RE 4 vendeu muito bem. Tenho meio que um tipo de trauma, pois o Remake não vendeu – muito mais do que as pessoas acham.”