O editorial é um texto que expõe a opinião do editor-chefe, Ivan N. B. Castilho, sobre algum assunto específico, e não reflete a opinião do PSX Brasil.


Já faz algum tempo que gostaria de escrever uma espécie de coluna semanal ou quinzenal destacando a minha opinião sobre um assunto em particular. O tema desta semana não poderia ser o melhor ponto de partida: a ausência de Just Cause 3 no plano PS Plus brasileiro.

Primeiro, vamos aos fatos. Na semana que passou, a Sony anunciou os jogos que farão parte do plano PS Plus em agosto. O plano americano se mostrou bastante sólido, com Just Cause 3 e Assassin's Creed: Freedom Cry para PS4. No entanto, o plano brasileiro apresentou Strike Vector EX no lugar de Just Cause 3. Isso causou uma revolta em uma escala inimaginável.

Você pode ver a raiva em qualquer lugar sobre o assunto: nosso site quando a revelação aconteceu e principalmente nas redes sociais oficiais PlayStation.

A revolta é justificável? Just Cause 3, sendo um bom jogo ou não, possui um preço base muito acima de Strike Vector EX. É esse o fato que os brasileiros não conseguem aceitar. Mesmo que mais da metade dos que estão reclamando do serviço nem joguem Just Cause 3 no fim das contas, a diferença de valor do produto passa a sensação de que o usuário não é valorizado pela companhia.

Veja o passado: uma vez, em maio de 2014, PES 2014 foi dado aos assinantes Plus americanos. No Brasil, recebemos Sly Cooper: Thieves in Time no lugar. Isso é completamente justificável: afinal, PES é um dos jogos mais vendidos no nosso país, ao lado de FIFA e GTA. Num mês posterior, quando os americanos receberam Sly Cooper, os brasileiros ganharam The Wolf Among Us.

Mesmo que muitos brasileiros tenham se sentido prejudicados em não ganharem PES 2014, foram compensados com um jogo de mesmo valor base. Não houve polêmica e muito menos fiasco.

Por que com Just Cause 3 as coisas estão diferentes?

Além da diferença no preço base que já mencionei, temos que entender que o público em geral não anda satisfeito com os jogos disponibilizados na Plus. É indiscutível que vários jogos de qualidade foram dados, sejam indies ou não, mas a Sony estabeleceu um patamar muito alto quando introduziu o serviço de jogos gratuitos na época do PS3, dando 12 jogos (fora os de Vita) e muitos deles os chamados AAA.

Hoje, ganhamos apenas dois jogos de PS4. Além disso, o plano é obrigatório para jogar online, então consequentemente devem existir muito mais assinantes Plus que na época do PS3 por causa disso.

Se você diminui a oferta do seu plano, o torna obrigatório e não oferece exatamente o que a maior base de jogadores deseja, basta uma gota d'água para que tudo vá para o brejo. E Just Cause 3 foi essa gota, ao menos no Brasil (e na América Latina).

Vale ressaltar que a resposta oficial da Sony para a ausência de Just Cause 3 foi que, de tempos em tempos, os jogos podem mudar de região para região. Isso é inegável, quando levamos em conta o Japão e a Ásia. Porém, o continente americano sempre foi considerado como um só e uma resposta como essa só piora a situação.

Outro ponto que deve ser mencionado é que Just Cause 3 faz parte da linha Favoritos que a Sony está promovendo com preço reduzido no Brasil. O bizarro, porém, é que Just Cause 3 não está disponível à venda em nenhuma loja participante que busquei, como a Saraiva.

Voltar atrás e oferecer Just Cause 3 é improvável a esse ponto. O que pode acontecer é que, no futuro, o plano americano receba Strike Vector EX e os brasileiros finalmente tenham o seu Just Cause 3. Eu não contaria com isso, porém é uma chance.

O maior erro da Sony em toda essa história foi ignorar que os fãs ficariam revoltados e simplesmente esqueceriam o assunto. Eles não vão esquecer. Também não vão parar de assinar a Plus, pois, como dito, é obrigatório para jogar online. Mas vão falar mal gratuitamente da companhia. Se você não agrada a sua própria base de usuários fiéis, o que dirá de potenciais novos consumidores?

O que a Sony deveria ter feito é falar com os fãs. Um "sabemos que alguns de vocês não estão contentes com a oferta do plano Plus do próximo mês, mas fiquem ligados que compensaremos vocês no futuro" já bastaria, ou mencionar o verdadeiro motivo da ausência do jogo. Seria o "damage control" perfeito, pois os fãs fiéis não se sentiriam ignorados como está acontecendo. Mesmo que essa compensação nunca venha, é mais fácil eles esquecerem disso do que um silêncio absoluto para o assunto.

A Sony do Brasil, assim como várias outras companhias de jogos, precisam começar a interagir com os fãs brasileiros de uma forma verdadeira. Traduzir textos dos canais americanos e/ou da América Latina não é o suficiente, é preciso conteúdo exclusivo. O negócio é tão crítico atualmente, que até mesmo essa promoção de Favoritos é nebulosa: foi anunciada e não teve uma lista completa de jogos e nem de lojas participantes. Se o usuário explorar o site oficial, vê uma lista, que imaginamos que seja a completa, e acaba descobrindo em uma página em espanhol que a Saraiva é uma das lojas.

Essa interação que menciono não é postar GIFs de coisas engraçadas para ganhar likes. É mostrar o seu conteúdo (seja recém-lançado ou antigo), falar dos jogos que estão por vir, legendar trailers de uma forma correta (ou quem sabe até divulgar trailers dublados), enfim, a possibilidade é infinita. E, neste caso do Just Cause 3, fazer alguma coisa para controlar a fúria.

A Ubisoft, a Bandai Namco e a WB Games, por exemplo, são companhias que se esforçam bastante nesse quesito, trazendo muita interação com os fãs em suas redes sociais. Obviamente que os haters sempre existirão (aqueles que nunca esquecem dos downgrades ou bugs no caso da Ubisoft), mas a quantidade de fãs verdadeiros que estão lá conferindo o material é notória.

O que essa história toda causará no fim? Provavelmente, nada. Os usuários receberão Strike Vector EX e resta torcer para que a Sony fale e, principalmente, escute os fãs no futuro. Apenas um aviso: não critique a desenvolvedora de Strike Vector EX. Eles não possuem culpa no cartório.

Ivan escreve para o PSX Brasil desde que o inaugurou em 2009 e está pegando a platina fácil de Hitman Go, assim como conferindo a bizarrice de Abigail em Street Fighter V.