Na última sexta, terroristas do Estado Islâmico atacaram Paris, matando mais de 120 pessoas.

Durante o fim de semana, surgiu a notícia que os terroristas teriam usado o PS4 para coordenar os ataques – ao ponto de sugerir que escreveram textos usando armas de Call of Duty nas paredes, assim como as moedas nas criações de fases de Super Mario Maker do Wii U. Porém, isso é falso.

Obviamente, qualquer pessoa pode logar no PS4 e usar o serviço online da Sony. Mas não há prova de que o ISIS fez isso para organizar os ataques. A especulação começou com um artigo da Forbes que tinha o título "Como os terroristas da ISIS em Paris podem ter usado o PS4 para discutir e planejar os ataques". Esse artigo teve mais de 475 mil pageviews e especulava justamente o que falamos no início.

Como fonte da notícia, a Forbes usava o comentário do ministro de relações exteriores da Bélgica, Jan Jambon, que dizia que o PS4 foi usado pela ISIS porque é mais difícil de ser rastreado do que o WhatsApp, por exemplo. Porém, o comentário de Jambon foi feito em 10 de novembro – três dias antes do ataque – e foi no contexto da fraqueza da segurança da Bélgica. Portanto, não tinha nada a ver com os ataques de Paris.

A Forbes corrigiu o artigo, mencionando o erro cometido. No entanto, o estrago já estava feito e muitas pessoas compartilharam a notícia falsa.

Obviamente, isso não significa que os consoles nunca foram usados por terroristas nesse sentido. Segundo Edward Snowden, a NSA verifica jogos como Second Life e World of Warcraft. Além disso, em maio um adolescente australiano com ligações ao ISIS foi preso por ter planos de bombas em seu PS4.

Quando perguntada sobre o assunto, a Sony disse que é totalmente responsável em proteger seus usuários e sempre que nota algo ofensivo, suspeito ou ilegal, ela identifica o usuário e notifica as autoridades apropriadas.

A possibilidade dos terroristas terem usado o PS4, portanto, é ínfima. Ela pode existir, ainda mais considerando que há cerca de 65 milhões de usuários ativos mensais na rede da Sony. Mas conforme foi reportado pela Forbes, isso não aconteceu.