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A mitologia da série Assassin’s Creed

Caso não consiga assistir, clique aqui.

Ontem, a Ubisoft lançou um trailer que resume brevemente a história de Assassin’s Creed para quem for jogar Revelations. Mas é só isso mesmo?

Este artigo contém spoilers (“estraga prazeres”) sobre os jogos Assassin’s Creed, Assassin’s Creed II e Assassin’s Creed: Brotherhood. Ele serve para você entender a mitologia da série e estar preparado com a chegada de Revelations (que acontece hoje na América do Norte) – que possui legendas em português do Brasil e facilitará o entendimento daqui para frente.

Outro fato que deve ser levado em conta, é que não discutiremos as ações de Ezio e Altaïr neste artigo. Muitas das coisas aqui discutidas acontecem “por trás das cenas” e portanto não deve ser considerado “spoiler” no fim das contas, pois muita coisa você não verá no jogo em si. Tenha apenas um fato em mente: assassinos e templários brigam por séculos na história dessa franquia.

Assassin’s Creed é uma das séries de maior sucesso da geração atual. Existem diversos elementos que justificam isso: a ambientação histórica, a jogabilidade sandbox, os personagens carismáticos e diversos outros fatores. Porém, assim como a série “LOST” fez os seus fãs pesquisarem sobre vários assuntos, Assassin’s Creed nos faz pensar além do game.

Sabemos que Ezio, por exemplo, em AC II e Brotherhood, vive na Itália e faz diversas coisas lá. Mas no segundo jogo, fomos obrigados a coletar as páginas do Codex, com as quais Leonardo montava os equipamentos de Ezio. O que eram isso? E no final? Que raios de personagem era aquela Minerva? E Juno em Brotherhood? É isso que o artigo aqui presente busca elucidar. Vamos lá?

Antes de mais nada, este artigo é uma adaptação e tradução de um tópico do NeoGAF. Portanto, boa parte dos créditos deve ir ao criador deste tópico.


CODEX

Antes de avançarmos para as coisas mais complexas, começaremos pelas mais simples. O Codex era um diário de Altaïr com 30 páginas. Ele documenta suas descobertas com a “Apple of Eden” (explicada adiante) que ele possuía e oferecia também uma visão de uma autobiografia de sua vida e de vários assassinatos que ele cometeu. Durante o cerco Mongol em Masyaf em 1257, Altaïr forneceu o Codex para Niccolò Polo para que ele guardasse com segurança. Entretanto, dois dias depois, mongóis interceptaram Niccolò e conseguiram o Codex. Anos mais tarde, o Codex passou para as mãos de Polo novamente, graças ao seu filho Marco, que conseguiu pegar de Genghis Kahn. Marco Polo deu o Codex ao assassino Dante Alighieri, que por sua vez passou para o seu aprendiz, Domenico Auditore. Eventualmente, o Codex foi dividido em várias partes e espalhado em um barco no porto de Otranto. Isso foi feito para previnir que os templários conseguissem colocar as mãos no Codex.

Os assassinos tentaram juntar as páginas do Codex, mas em 1476 apenas seis páginas estavam localizadas. Ezio, por sua vez, conseguiu, em 1499, juntar todas as 30 páginas espalhadas pela Itália. Com a ajuda de Leonardo Da Vinci, o Codex foi traduzido e descobriu-se que um “profeta” chegará e que juntaria os dois “Pieces of Eden” (pedaços do Eden) para abrir o “Vault”. As páginas também indicavam os diversos “Vault” espalhados pelo mundo. No início do século XXI, as páginas do Codex foram mais uma vez separadas e estão nas mãos de colecionadores, provavelmente templários, enquanto que outras estão em museus.


A PRIMEIRA CIVILIZAÇÃO

“Those Who Came Before”, “Aqueles Que Vieram Antes”, também conhecidos como a Primeira Civilização, eram uma espécie antiga e avançada da Terra que criaram os “Pedaços de Eden”, assim como a própria raça humana. Eles eram avançados tecnologicamente e uma raça poderosa. Ao contrário da raça humana, que foram criados com apenas cinco sentidos, membros da Primeira Civilização tinham seis, sendo que o sexto era o conhecimento. Como os primeiros humanos não compreendiam bem a Primeira Civilização, eles eram vistos como deuses.

A origem da Primeira Civilização não é clara. Minerva simplesmente diz que eles vieram antes. Eles foram responsáveis pela criação da humanidade, criando os humanos a partir de sua própria imagem e que fossem uma força de trabalho dócil. Apesar de Minerva dizer que eles construíram a humanidade para sobreviver, Juno diz que os humanos não foram feitos para serem sábios; garantindo assim que eles fossem obedientes.

O controle da humanidade foi garantido com o uso dos “Pedaços de Eden”, que por sua vez afetava um neuro-transmissor localizado no cérebro dos humanos. Entretanto, existiam alguns humanos que nasceram sem esse transmissor. Segundo o “Subject 16” (sujeito 16, comentado mais adiante), é possível que eles sejam híbridos de humanos com a Primeira Civilização. Assim, esses humanos estavam livres do comando dos “deuses”.

Apesar da humanidade e da Primeira Civilização viver em paz por algum tempo, a guerra explodiu entre as duas espécies. Adão e Eva roubaram um Pedaço de Eden, mas não se sabe como isso afetou o conflito. A Primeira Civilização era mais avançada e poderosa tecnologicamente, mas os humanos estavam em maior número (numa proporção de 1 para 1 milhão).

A guerra acabou depois de um tempo. Com a distração da guerra e com muitas mortes que a Primeira Civilização não previa, eles não puderam prever o perigo que estava por vir. Shaun Hastings e Lucy Stillman (amigos de Desmond Miles) possuem a hipótese que esse perigo era uma grande erupção solar que afetou o campo magnético da Terra, revertendo sua polaridade e fazendo com que o planeta ficasse instável geologicamente.

As duas raças sobreviveram a catástrofe, mas poucos de cada. Trabalhando juntos, eles reconstruíram o mundo e a humanidade continuou vendo a espécie de Minerva como deuses. Entretanto, a Primeira Civilização não conseguiu se recuperar totalmente e seguia para a sua extinção. Eles sabiam que essa catástrofe aconteceria novamente no futuro e fizeram de tudo para que pudesse ser prevenida. Uma mensagem em holograma seria mostrada para aqueles que entrassem na Vault. Nela, Minerva alerta os problemas e fala dos templos que podem salvar a Terra da destruição (construídos por aqueles que desviaram sua atenção da guerra).

Apesar de deixarem sua marca na Terra antes de serem extintos, a Primeira Civilização caiu no esquecimento muito rapidamente após seu declínio. Os humanos que não compreendiam seus criadores – a não ser como deuses – fizeram com que os nomes continuassem vivendo. A escassez de evidências de sua existência não preveniu que os humanos soubessem de sua existência e no século XXI, os templários possuem pouco conhecimento sobre eles. A tecnologia da Animus – usada por Desmond para ver os seus ancestrais – é baseada na tecnologia da Primeira Civilização.


OS PEDAÇOS DO EDEN

Os Pedaços do Eden são pedaços avançados de equipamentos criados pela Primeira Civilização. Cada um possui propriedades únicas e todos permitiam que um ou mais indivíduos obedecessem uma única pessoa com o pedaço. A Primeira Civilização usava os Pedaços do Eden para controlar a humanidade como escravos.

Dois humanos, Adão e Eva, se tornaram imunes aos efeitos hipnotizantes dos Pedaços do Eden e roubaram um dos pedaços: a Maçã do Eden. Depois da guerra entre os humanos e os “deuses”, os pedaços foram perdidos.

A Maçã do Eden permitia controlar a mente humana. Outros pedaços eram capazes de modificar a realidade, criando ilusões e garantindo total obediência. Alguns mexiam com o controle do tempo, possibilitando paradoxos. Tanto os templários quanto os assassinos acreditavam que os Pedaços do Eden eram a fonte de vários contos históricos e milagrosos, como a travessia do mar vermelho de Moisés, o Cavalo de Tróia, os milagres de Jesus Cristo, pragas bíblicas e outros acontecimentos sobrenaturais.

Os Pedaços do Eden, ou ao menos as Maçãs, eram capazes de liberar um pulso de energia quando ativadas que faziam as pessoas ficarem insanas – chegando a morrerem, ou forçarem a lutarem entre si. Fazer isso, no entanto, tinha um efeito físico ruim para a pessoa que ativava o artefato. Porém, se usar em doses pequenas, os efeitos negativos eram minimizados.

O misterioso Sujeito 16, enquanto hackeava a Animus, descobriu que através da história, os Pedaços do Eden tiveram vários donos, como Napoleão, George Washington, Mahatma Gandhi, Nikola Tesla, Thomas Edison, Tsar Nicholas II, Winston Churchill, Henry Ford, Adolf Hitler e muitos outros.

Em 2012, muitos artefatos estão nas mãos dos templários e, para buscar o restante, o projeto Animus foi criado. Usando os Pedaços do Eden, os templários desejam manipular os neuro-transmissores nas cabeças dos humanos para alcançar seu objetivo (impossibilitar o livre arbítrio).


OS HÍBRIDOS

Pessoas que não eram afetadas pelos Pedaços do Eden eram chamados de híbridos, pois eram uma mistura das duas espécies: humanos e da Primeira Civilização. Os primeiros híbridos foram Adão e Eva. Desmond, Altaïr e Ezio, além do Sujeito 16, são todos híbridos por serem imunes aos Pedaços do Eden e terem a “Eagle Vision”.


SUJEITO 16

O Sujeito 16 era um indivíduo que foi sequestrado pela Abstergo Industries e forçado a usar a Animus antes de Desmond. Ele também era um assassino e descendente de Altaïr e Ezio, mas não se sabe seu parentesco com Desmond.

Sujeito 16 foi conectado à Animus por períodos muito longos e perigosos. Isso levou a ele sofrer diversos problemas conhecidos como “bleeding effect” (efeito de sangramento). Através desse efeito, o sujeito começou a explorar a memória de seus ancestrais sem o uso da Animus; mas sem a possibilidade de controlar as visões. Dessa forma, ele ficou louco e cometeu suicídio.

Antes desse evento, o sujeito foi forçado a explorar as memórias de Ezio, pois os templários sabiam que ele havia localizado a Vault. Porém, ele nunca conseguiu recuperar a memória desejada. Com seu sangue, o sujeito pintou seu quarto com diversas mensagens misteriosas e se matou, para que os templários não conseguissem o que queriam. Os templários sabiam, porém, que Altaïr teve um Pedaço do Eden uma vez, portanto, eles localizaram Desmond e iniciaram o mesmo processo o considerando como o Sujeito 17.

Depois de Desmond escapar da Abstergo no início do segundo jogo, os assassinos descobriram que o Sujeito 16 hackeou a Animus antes de morrer e colocou 20 Glyphs nas memórias. Após descriptografar todos os 20 arquivos, um vídeo chamado de “A Verdade” era mostrado e nele estavam Adão e Eva (veja no final do artigo). Com cada Gylph, havia coordenadas em Roma. Nessas coordenadas existiam Rifts (Fendas) na Animus. Desmond precisava mais uma vez solucionar os puzzles e abrir os arquivos. No final, um vídeo distorcido com a mensagem “o milagre está na execução” aparecia, sugerindo que os Rifts eram um arquivo executável. Acessando ele, Desmond estava em um lugar nunca visto antes na Animus. Depois de correr por todo ele, um holograma do Sujeito 16 surgia, que dizia a Desmond que tudo está perdido e que ele precisava ir ao Eden para achar uma mulher chamada Eve e o seu DNA. Ele também diz a Desmond, “o sol… seu filho… muito fraco” antes de deixar para recuperar sua energia e dizer a Desmond para achá-lo na escuridão.


21 de dezembro de 2012

O fenômeno 2012 é famoso pelo fim do calendário mesoamericano que possui um ciclo de 5.125 anos. Vários alinhamentos astronômicos e fórmulas numerológicas para esta data foram propostas. Uma interpretação de “Nova Era” dessa transição diz que é o início de um tempo que a Terra e seus habitantes devem sofrer uma transformação física ou espiritual positiva e que 2012 marcará o início de uma nova era. Outros sugerem que a data de 2012 marca o fim do mundo ou uma catástrofe menor. Possíveis acontecimentos para o fim do mundo inclui a chegada de uma nova erupção solar ou a colisão da Terra com um buraco negro.

Usando os Pedaços do Eden, os templários buscam manipular os neuro-transmissores de toda a raça humana para alcançar o seu objetivo. A “Eye-Abstergo”, um ramo da Abstergo Industries, planeja lançar um satélite “todas-em-uma telecomunicações” na órbita da Terra no dia 21 de dezembro de 2012. Esse satélite contém um Pedaço do Eden.

As imagens acima mostram os avisos do Sujeito 16 que Desmond encontra no laboratório do Abstergo no primeiro jogo. O “Eye of Providence” (ou o olho que tudo vê de Deus) é algumas vezes interpretado como representando o olho de Deus que observa a humanidade. O quadrado cheio de letras, quando lido da direita pra esquerda, e de baixo pra cima, diz “artefatos enviados aos céus controlam todas as nações para que nós obedeçamos uma cruzada escondida. Não ajude eles”. Os números 12212012 indicam a data, enquanto que as barras revelam o número 666.


A VERDADE E O MILAGRE

São duas coisas colocadas pelo Sujeito 16 na Animus. Os dois vídeos abaixo mostram o seu conteúdo:

O vídeo “truth”, com Adão e Eva, é explicado neste artigo. Porém, o segundo ainda possui dúvidas. Desmond vai atrás de Eva? Quem é Eva? DNA? Será que Lucy é Eva e por isso seu sangue foi derramado? Muitas perguntas que talvez Assassin’s Creed: Revelations revelará.