AnálisesPS3

Yakuza 3

Análise

NOME: Yakuza 3
FABRICANTE: SEGA
PLATAFORMA: ps3
GENERO: Ação / Aventura / Simulador
DISTRIBUIDORA: SEGA


LANÇAMENTOS
12/03/2010 12/03/2010 26/02/2009


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Número de jogadores: 1

Definição HD: 720p

Trophies


Mais de um ano após seu lançamento no Japão, Yakuza 3 finalmente chegou ao ocidente. E a espera felizmente valeu a pena.

O jogo continua a história de Kazuma Kiryu, que também foi protagonista dos dois primeiros jogos da série. Aqueles que não jogaram tais jogos, lançados para PlayStation 2, não precisam se preocupar, já que Yakuza 3 contém vídeos que resumem os seus enredos. Assistir a estes vídeos não é obrigatório, e também não é absolutamente necessário, pois o que realmente importa é explicado durante o jogo.

O enredo do jogo gira em torno do esforço de Kiryu, após abandonar a Yakuza, em manter o orfanato Morning Glory em Okinawa, onde ele cuida de nove crianças. Kiryu esperava manter uma vida tranquila, mas a região onde fica o orfanato corre o risco de ser vendida para a construção de um resort e de uma base militar, e se isso acontecer o orfanato terá que trocar de lugar. Como o próprio Kiryu cresceu em um orfanato, ele entende que o sentimento de ter um local para chamar de lar é importante para as crianças e decide fazer de tudo para impedir que a venda seja concretizada. Kiryu logo descobre que tanto o governo quanto a Yakuza estão envolvidos nas negociações das terras, e a situação se torna mais complicada quando o antigo clã de Kiryu também se mostra envolvido e conhecidos do protagonista passam a sofrer atentados.

O enredo é um dos pontos altos do jogo, mantém o interesse do jogador, contém surpresas e faz o jogador se importar com os personagens. Os personagens secundários são agradáveis, principalmente Rikiya, membro da Yakuza que acompanha o protagonista em boa parte do jogo. Como nada é perfeito, a alta quantidade de personagens pode deixar certas partes confusas para aqueles mais desatenciosos, e a relação familiar de Kiryu com as crianças do orfanato, apesar de servirem bem para mostrar o caráter do protagonista, às vezes produz situações que para alguns pode parecer desnecessárias. Como exemplo posso citar uma parte em que o dinheiro de uma das meninas some e Kiryu investiga para descobrir se outra criança pegou indevidamente. Estas situações contém certa emoção, mostra que Kiryu se importa com o orfanato e dá um intervalo no jogo principal, que é constituído principalmente por lutas, mas apesar de gostar delas, dão uma impressão de estarem um pouco deslocadas.

Yakuza 3 tem toques de RPG, como atributos que podem ser melhorados conforme o personagem ganha pontos de experiência, itens que podem ser usados para recuperar energia e equipamentos e armas para aumentar o poder de ataque e de defesa. Os pontos de experiência são adquiridos através das lutas, das sidequests e alguns poucos pontos são ganhos até mesmo ao comer em restaurantes. Ao passar de nível é possível escolher qual atributo aumentar e aprender novas técnicas e movimentos especiais.

Falando nas lutas, elas são o foco principal do jogo. E felizmente elas são bastante divertidas, permitindo combos, esquivas, defesa, golpes diversos que são aprendidos com o avanço no jogo, uso de armas, de itens do cenário como cadeiras e mesas, e de golpes especiais. As lutas acontecem com grande frequência, até mesmo quando você está andando na cidade algum encrenqueiro pode vir tirar satisfação com você e iniciar uma batalha. Infelizmente a ocorrência de batalhas nas cidades é meio constante demais, mas com o tempo o jogador consegue identificar os personagens que irão querer lutar e fica mais fácil desviar quando não se deseja lutar.

As lutas, aliás, podem se mostrar bastante violentas. Além da barra de energia, há uma barra de "heat" que é preenchida ao atacar os inimigos ou consumir certos itens. Quando esta barra está quase cheia, é possível realizar ataques de finalização em momentos específicos, como quando o inimigo está caído ou quando Kiryu está segurando algum objeto. Em um dos movimentos de finalização, Kiryu pisa violentamente no rosto do inimigo que está deitado no chão. Em outros ele ataca de forma brutal o inimigo com a arma que estiver segurando, como o movimento de rebater a bola em um jogo de baseball, mas acertando a cabeça do adversário. E tudo isso com direito a sangue e close da câmera. Não chega a ser violência no nível de Mortal Kombat, mas ainda assim o jogo pode ser considerado bastante violento.

Para aprender novos golpes, além de fazê-lo ao aumentar o nível do personagem, também há as divertidas "revelations". A partir de um certo momento no jogo Kiryu aprende que é possível se inspirar em situações de pessoas comuns e criar novas técnicas de luta. E isso é divertido porque tais situações costumam ser bastante engraçadas. Como exemplo, após sair de um bar que apresenta dançarinas de pole dance, Kiryu presencia um homem bêbado tentando imitar os movimentos das dançarinas em um poste de energia. Obviamente ao final o homem despenca, mas durante a "apresentação" ele consegue se segurar no poste com as pernas mesmo bêbado, o que inspira o protagonista a perceber a força das pernas para se segurar em algo e criar uma técnica capaz de derrubar um inimigo utilizando o mesmo movimento. Durante cada situação Kiryu tira três fotos com o celular (para isso o jogador deve apertar os botões mostrados na tela rapidamente, o que é conhecido como Quick Time Event, ou QTE), e ao final o jogador escolhe um deles para se inspirar. Mesmo que o jogador escolha a foto errada, é possível repetir a situação até ele acertar. Há dez situações no total, e um personagem secundário envia mensagens no celular do protagonista com dicas de onde elas acontecem.

Além das lutas, algo que acontece com certa frequência são perseguições. Às vezes, por algum motivo, alguns personagens tentam fugir de Kiryu, que tem que persegui-los pela cidade. O jogador tem que ficar atento, já que o personagem que está fugindo pode tomar rumos estranhos nas apertadas ruas da cidade e jogar objetos no chão para atrapalhar o protagonista. Caso Kiryu perca o personagem de vista ou sua barra de resistência acabe, a perseguição falha e tem que ser feita novamente.

Durante o jogo é possível encontrar três mestres que ensinam Kiryu em três áreas diferentes: combate com armas, combate sem armas e perseguição. Ao ser treinado por eles o protagonista aprende novos movimentos, ataques e maior resistência para as perseguições. Conseguir realizar todos os treinos pode ser um pouco difícil, mas as melhorias ganhas ao completá-los ajudam bastante.

O jogador perceberá que desde o começo Kiryu coleta itens a princípio inúteis, como molas, pedaços de metal e diversos outros. A partir de certo ponto do jogo será explicado que é possível criar e melhorar armas com tais itens, aumentando a durabilidade da arma e a força de ataque delas. Para isso, além dos itens, são necessárias receitas para que um outro personagem saiba trabalhar com as armas e os itens. As receitas podem vir de variadas formas, desde revistas até filmes que podem inspirar o personagem a criar novas armas.

Além do jogo principal, Yakuza 3 oferece várias outras possibilidades para distrair o jogador. Há diversos minigames, como golf, sinuca, dardos, boliche, pescaria e outros, cada um com opções diferentes e ranking. O jogo também oferece mais de 100 missões, com objetivos que variam bastante, como encontrar uma criança perdida, sair em encontros com mulheres (que apesar do jogo sugerir que os personagens fazem sexo, nada é explícito), até as tradicionais missões que se resumem a ir a tal lugar e lutar contra alguém. Uma das minhas reclamações com relação ao sistema de missões é que a descrição da missão dá uma ideia do próximo local para ir, mas não há nenhuma indicação no mapa, o que em certos momentos nos obriga a ficar andando pela cidade até encontrar o local exato.

Outra distração é que tanto em Kamorucho (Tokyo) quanto em Ryukyu (Okinawa) há uma centena de chaves escondidas pelo cenário, que servem para abrir armários com itens. Algumas das chaves são fáceis de encontrar, enquanto outras requerem que o jogador olhe atentamente pelo cenário enquanto anda. Ainda há um coliseu onde Kiryu pode lutar com diferentes lutadores e ganhar dinheiro e itens. O interessante do coliseu é que além de algumas lutas terem regras diferenciadas, como não poder usar chutes, não basta apenas vencer os inimigos, mas também agradar o público utilizando golpes diferentes e os objetos do cenário.

Os jogadores que gostam de completar 100% de seus jogos terão muito para fazer. Além de tudo o que foi citado antes, as cidades do jogo possuem diversos retaurantes com incontáveis ofertas de comida. O jogo mantém uma lista de quais foram as comidas consumidas em quais restaurantes, então para completar a lista será necessário comer cada oferta de cada restaurante. Pelo menos cada refeição dá um pouco de pontos de experiência e cura a energia do jogador caso ela não esteja completa. Há até um troféu que premia o jogador que consumir os itens mais caros de cada loja.

Com relação ao conteúdo do jogo, aqueles que acompanharam as notícias sobre a versão japonesa sentirão falta de partes que foram cortadas, como alguns minigames, algumas missões, e serviços de acompanhantes. Porém, considerando a grande quantidade de opções disponíveis no jogo, estas partes não fazem muita falta.

Os gráficos infelizmente não conseguem se destacar. Enquanto as cutscenes conseguem impressionar, os cenários e os personagens durante o jogo poderiam ser melhores. Na época que o jogo foi lançado no Japão talvez os gráficos impressionassem, mas atualmente, principalmente comparando com tantos outros jogos com gráficos ótimos já lançados como Uncharted 2 e Final Fantasy XIII, eles parecem um pouco ultrapassados. As ruas das cidades, pelo menos, frequentemente mostram várias pessoas e carros ao mesmo tempo, passando uma sensação de que a cidade realmente existe.

A SEGA decidiu manter as vozes japonesas no lançamento ocidental, uma decisão que faz muito sentido por causa da ambientação claramente japonesa do jogo. E com isso felizmente fomos poupados das dublagens americanas, geralmente bastante ruins. Se há algo para reclamar com relação às vozes, é justamente nos únicos momentos em que alguns personagens falam em inglês, que contrastam com a ótima dublagem japonesa. As músicas são agradáveis e combinam com o jogo, apesar de não haver faixas realmente marcantes.

Ao terminar o jogo é possível carregar o último save para iniciar novamente o jogo, podendo escolher uma dificuldade maior e mantendo níveis, itens e dinheiro. É recomendado fazer isso para vencer o jogo nas dificuldades mais altas, que podem se provar verdadeiros desafios. Ao terminar o jogo também é aberto um modo livre, que não segue o enredo, todos os locais são acessíveis e o protagonista mantém tudo o que foi conseguido no jogo principal. Com isso é possível completar os minigames, listas e todo o resto mesmo depois de terminar o jogo.

Yakuza 3 é um jogo de qualidade, longo, com diversas opções e com certeza sua compra é recomendada. Os fãs de ShenMue, principalmente, não devem deixar de experimentar este jogo, já que por enquanto ele é o que mais se aproxima do clássico da SEGA.

90%