AnálisesPS3

The Sly Collection

Análise

NOME: The Sly Collection
FABRICANTE: Sanzaru Games / Sucker Punch
PLATAFORMA: ps3
GENERO: Plataforma
DISTRIBUIDORA: Sony Computer Entertainment


LANÇAMENTOS
26/11/2010 26/11/2010 Não disponivel


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Definição HD: 720p

Troféus

Playstation Move

3D


Algum tempo atrás, ao postar a análise de Ratchet & Clank Future: A Crak in Time, eu disse que o PS3 não possuía nenhum outro jogo no estilo plataforma que sequer chegasse aos pés de R&C. Bem, os fãs de jogos de aventura e plataforma podem sorrir. O console da Sony tem agora ao seu dispor uma coletânea com 3 dos melhores jogos de plataforma da geração passada, maquiado em HD e com suporte a troféus. Um pacote de valor, entitulado The Sly Collection.

 

Sly nasceu em 2002 no PS2, por volta da mesma época em que os 3 grandes hits de plataforma do console da Sony se apresentavam (Sly, Ratchet e Jak). A trilogia conta com os 3 jogos lançados na geração passada: Sly Cooper and the Thievius Racoonus (TR), Band of Thieves (BoT) e Honor Among Thieves (HAT). O mundo de Sly é exatamente como o nosso, mas seus habitantes são animais antropomórficos. Sly Cooper é um guaxinim, o mais novo descendente do clã Cooper, uma família de ladrões lendários. Quando pequeno, Sly viu seus pais serem assassinados por um grupo de ladrões rivais. Estes ladrões levaram com eles o livro Thievius Racoonus, o livro de família que ensina todas as técnicas de ladroagem possíveis para se tornar um ladrão mestre. 

 

 

Renegado a um orfanato, Sly faz amizade com Murray (um hipopótamo rosa) e Bentley (uma tartaruga verde), e juntos realizam vários crimes ao redor do mundo. Sly e seu grupo, porém, não são ladrões comuns – nas palavras do próprio personagem principal, "um ladrão só é um mestre quando ele rouba de outros ladrões". Em outras palavras, SLy e seu grupo roubam apenas de outros ladrões, e inicialmente, com o intuito de aumentar suas habilidades para, eventualmente, recuperar o Thievius Racoonus – iniciando os eventos do primeiro jogo da série.
 
O aspecto mais forte de Sly é facilmente o seu grupo de personagens, que esbanjam carisma. Enquanto TR é um tanto "morno", BoT e HAT usam e abusam dos eprsonagens carismáticos, com diálogos e situações variados e divertidíssimos. O próprio Sly é um personagem original como pouco se vê: ele é um ladrão que rouba de ladrões, mas isso não quer dizer que Sly seja uma espécie de Robin Hood, pois ele age apenas para benefício próprio ou para testar suas habilidades. Por outro lado, Sly possui senso de justiça e honra próprios, e o resultado – um arquétipo que chamamos de "ladrão-nobre" – é carismático e divertido. É uma característica incomum de personagem que é subexplorada no mundo dos videogames – o exemplo mais recente que vem à cabeça é Nathan Drake, de Uncharted, nada menos que 5 anos depois de TR – e uma boa dose de ar fresco para quem se cansou de fuzileiros navais do espaço. 
 

 
Para quem jogou inFamous, o gameplay a partir de BoT pode ser supreendentemente parecido. Enquanto TR possui uma aproximação mais tradicional para o gênero plataforma – você morre com um golpe, fases lineares, colecionáveis etc -, BoT e HAT oferecem mundos abertos que favorecem a navegação vertical. Sly é ágil e consegue escalaar praticamente qualquer objeto do cenário, deixando as semelhança com Cole ainda mais evidentes. Murray e Bentley também são jogáveis (e ganham mais destaque) a partir de Sly 2, e possuem mecânicas diferentes o bastante para não parecerem cópias de Sly. HAT, em especial, é dividido quase que igualitariamente entre os 3 personagens principais, fazendo com que o enredo progressivamente deixe de ser sobre Sly e passe a ser sobre seu grupo.
 
Graficamente, os 3 jogos são praticamente idênticos e envelheceram de maneira satisfatória, mantendo ainda seu "charme" caractístico. Obviamente, não é nada que chegue aos pés dos gráficos-Pixar dos recentes R&C, mas os ambientes coloridos são belos e os personagens não são desagradáveis aos olhos – grande parte disso se deve à ótima animação, fluida e variada. Os designs merecem elogios em separado, tanto dos personagens principais quanto dos excelentes vilões, dos bosses aos capangas comuns. A música dos 3 jogos é muito discreta, mas a dublagem é ótima e com muita personalidade – destaque para "The Murray", que tem facilmente as melhores linhas em BoT e HAT (como a clássica "vou arrancar sua espinha e usá-la como fio dental!", simplesmente impagável).
 

 
O que se elogia do design dos personagens, porém, possui ressalvas no que diz respeito ao gameplay, e é o maior problema da trilogia. Sly 1 é extremamente repetitivo, e todas as suas fases possuem estrutura idêntica. Sly 2 e 3 corrigem esse problema ao oferecer mundos abertos (e que são inegavelmente bases para inFamous, contando com a navegação vertical e por telhados), mas Sly 2 também é repetitivo em sua estrutura de missões. Sly 3 é, de longe, o mais caprichado, o de melhor design e o mais variado em suas missões.
 
Uma outra crítica fica reservada ao tamanho dos jogos: eles são por demais curtos. Aliado à baixa dificuldade, isso significa que a trilogia pode ser facilmente completada em poucos dias sem muito esforço. Os troféus podem estender um pouco a vida útil dos jogos, mas nenhum possi requerimentos absurdos ou trabalhosos. Os mini-games extras são divertidos, mas nada que faça o jogador voltar várias vezes para experimentar.
 

 
Com tudo dito e feito, porém, não há dúvidas que Sly Collection é obrigatório para os fãs de plataforma. A baixa dificuldade e a curta duração podem deixar alguns com o pé atrás, mas a 40 dólares, com 3 platinas e 3 jogos excelentes para suprir o gênero no PS3, Sly Collection é uma ótima pedida. Sly conquista fãs com a mesma facilidade que rouba um diamante.

85%