AnálisesPS3

The Darkness II

Análise

NOME: The Darkness II
FABRICANTE: Digital Extremes
PLATAFORMA: ps3
GENERO: First-Person Shooter
DISTRIBUIDORA: 2K Games


LANÇAMENTOS
10/02/2012 10/02/2012 23/02/2012


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Definição HD: 720p

Jogadores: 1-4 (Multiplayer)

Headset

Troféus


Quando o PS3 foi lançado, a falta de jogos de peso foi, infelizmente, visível. Um título que se destacou no ponto de vista das (boas) críticas na vida inicial do consolen(nos idos tempos de 2007) foi The Darkness, um jogo divertido e com marcos tecnológicos impressionantes, como colocar o filme To Kill a Mockinbird completo dentro do jogo. Com um ótima história e jogabilidade divertida, The Darkness vendeu suficientemente bem para hoje, depois de 5 anos, ganhar uma sequência.

 

 

Tanto o primeiro quanto o segundo jogo são baseados em uma história em quadrinhos que atende pelo nome The Darkness. Em TDII, a inspiração é clara logo no momento em que você liga o jogo e é apresentado ao grafismo estilizado da aventura – algo bem diferente do primeiro jogo. Se você espera mais um shooter realista, esqueça: TDII é totalmente em cel-shading, buscando um visual que remete às HQs – pense em Borderlands, para ter uma ideia. TDII é um jogo muito belo, com animações suaves, ambientes bem construídos e com design bacana (embora extremamente linear), mas com destaque para o excelente jogo de luz e sombra que o título oferece.

 

Em TDII, a luz e a escuridão são muito mais que apenas efeitos visuais. Vejam bem, Jackie Estacado, o personagem principal do jogo (e das HQs) é um avatar do Darkness, uma entidade ancestral, demoníaca e de imenso poder. O Darkness possui um hospedeiro por vez, e lhe confere seu imenso poder da escuridão – em troca, o hospedeiro morrerá quando conceber seu primeiro filho – quer queiram, quer não. No jogo anterior, Jackie se usou do poder do Darkness para eliminar os assassinos de sua então namorada, Jenny. Jackie consegue vingança e suprimir o poder demoníaco dentro de si, mas logo no início de TDII, Jackie é atacado em um atentado dentro de um restaurante. Ferido e sem muitas outras opções, Jackie se entrega ao poder maléfico, tornado-se novamente o Darkness.

 

 

Na maioria dos jogos, ficar na escuridão significa ser furtivo. Em TDII, ficar na escuridão significa ter pleno acesso aos poderes de Jackie. É algo bem simples: como o poder do Darkness vem da escuridão, ficar nas sombras significa que Jackie estará mais forte, enquanto focos intensos de luz fazem com que ele fique mais fraco. Quando em contato com a luz, os dois membros demoníacos de Jackie cessam seu funcionamento, você não poderá se utilizar de suas habilidade especiais e sua energia não será regenerada. Para piorar, tudo fica em preto e branco e o jogo emite um ruído agudo extremamente incômodo, aumentado ainda mais a vontade de abandonar a luz e procurar refúgio nas trevas.

 

Jackie possui ao seu dispor um bom número de habilidades, como canalizar o poder da Escuridão em suas armas, invocar insetos para drenar as energias e paralizar os inimigos e mais. Estas habilidades podem ser evoluídas no decorrer do jogo, e lembram, de certa forma, Bioshock, embora com menor variedade.

 

Um gatilho do controle é responsável por controlar o "braço" do Darkness responsável por fazer ataques físicos. Um outro gatilho controla o braço de "agarrar", que serve para puxar objetos – portas de carros (que podem ser usadas como escudos), tanques explosivos e outros -, além de preparar os inimigos para serem executados, a fim de fornecer energia, munição, um escudo ou recarga para seus poderes. Os outros dois gatilhos são usados da forma tradicional dos FPSs: com uma arma em mãos, um botão mira e o outro atira, enquanto que com uma arma em cada mão, cada botão controla uma arma diferente.

 

 

O diferencial de TDII é que o próprio jogo chama de "quad-wield", ou seja, você anda com os 4 "braços" armados ao mesmo tempo e pode usá-los simultaneamente. Embora usar os 4 gatilhos do DualShock 3 ao mesmo tempo possa soar desconfortável, a verdade é que a jogabilidade de TDII é fludia e gostosa, e nunca um empecilho. O quad-wield e as habilidade sombrias de Jackie acima descritas garantem encontros divertidos, tensos e viscerais, discretamente prejudicados apenas pela pouca variedade de inimigos.

 

Existem poucos tipos de inimigos básicos: os que atacam com armas brancas, os com armas de fogo, os que carregam focos de luz, os de escudo, os que usam chicotes para roubar suas armas e os que se "teleportam" pela escuridão. A pouca variedade dos inimigos se estende aos modelos – os capangas possuem pouca variação entre si -, mas felizmente, isso não se traduz em monotonia, e o combate de TDII é um dos melhores pontos do jogo.

 

 

O mesmo não se pode dizer do chefes. Eles são em pouco número, e as batalhas contra eles não são muito memoráveis. Além disso, dos 4 chefes principais, 3 se utilizam de táticas muito parecidas – teleportar-se pela arena de combate e, a cada certa quantidade de dano, chamar capangas para atacar Estacado. Esses combates, diferentemente do restante do jogo, são enfadonhos e poderiam ser muito melhor explorados.

 

TDII conta ainda com um ótimo modo cooperativo chamado Vendetta. Vendetta possui uma campanha separada, que pode ser jogada sozinha ou online com parceiros. Os jogadores assumem o papel de um dos quatro mercenários que possuem poder oriundo do Darkness. A história corre paralelamente com a campanha principal, e embora não seja tão boa quanto ela (o que é compreensível), a carnificina com outros jogadores é mais que recompensante. Cada um dos personagens possui suas próprias habilidades (embora a maioria destas sejam cópias menores dos poderes de Jackie), o que fornece um certo grau de customização também a esse modo. Por fim, além da campanha Vendetta, o modo ainda conta com missões específicas chamadas Hit List, aumentando o leque de opções para o modo multiplayer.

 

 

O trabalho sonoro de TDII é incrível. Boas músicas são adequadamente usadas e criam um bom clima, mas o verdadeiro destaque é, assim como em seu predecessor, a dublagem – em especial a do Darkness. Mike Patton dá novamente vida à entidade sombria, e faz um trabalho mais que espetacular. Quando você escutar o Darkness falar coisas como "FINALLY, I FEED!", "EMBRACE ME!" ou "MUTILATE!", saiba que aquela voz é produzida pelo puro talento de Patton, que não se utiliza de nenhum modificador de voz para para criar aquele efeito tenebroso. O restante do elenco tem boas vozes também (com Briam Bloom fazendo a voz de Jackie desta vez), mas a atuação de Mike Patton rouba a cena.

 

Apesar de todas estas qualidades, TDII tem sua gama de defeitos. O principal deles, e que fará com que muitos não o comprem, é a duração. TDII pode ter sua camapnha explorada em cerca de 5 a 6 horas, e a despeito da ótima história, é difícil justificar uma campanha tão curta. Claro, os modos Vendetta oferecem mais longevidade, mas ainda assim, TDII é muito curto.

 

Entretanto, meu maior problema com o jogo é seu potencial desperdiçado. TD era um jogo muito mais aberto e explorável, e enquanto a sequência poderia ter se aprofundado nestes aspectos, a Digital Extremes optou por fazer algo mais focado e linear – ou seja, TDII segue mais o caminho de FPSs como Call of Duty e Battlefield, quando a própria natureza do jogo quase implora para que ele siga o caminho de Bioshock. Desta forma, TDII acaba fazendo pouco para se destacar no mercado saturado do gênero, e aqueles que não o experimentarem correm o risco de taxá-lo como apenas "mais um".

 

 

Fosse mais longo, menos linear e com maior variedade, The Darkness II poderia ser um clássico, tão aclamado quanto o de Ken Levine. Da forma que foi executado, porém, ele é "apenas" um FPS. Um FPS muito bom, diga-se de passagem, e que eu recomendo aos fãs do gênero que ao menos aluguem para experimentar.

 

— Resumo —

+ Ótimo gameplay.
+ História miuto boa.
+ Gráficos estilosos.
+ Mike Patton em uma atuação espetacular.

 

Potencial mal-aproveitado.
Curto.
Bosses sem graça e inimigos pouco variados.

 

75%