AnálisesPS3

Red Faction: Armageddon

Análise

NOME: Red Faction: Armageddon
FABRICANTE: Volition, Inc.
PLATAFORMA: ps3
GENERO: Tiro em terceira pessoa
DISTRIBUIDORA: THQ, Syfy Games


LANÇAMENTOS
10/06/2011 10/06/2011 09/06/2011


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Número de jogadores: 1 (2 - 4 online)

Definição HD: 1080p

Leaderboards

Headset

Troféus

DLC


Red Faction é uma série subestimada pela maioria dos jogadores. Ela teve início em 2001 com o primeiro jogo para o PlayStation 2, um jogo de tiro em primeira pessoa com uma história legal e uma tecnologia inovadora, a GeoMod, que permitia que o jogador destruísse (limitadamente) o terreno e as construções ao seu redor. Red Faction: Guerrilla (que nós analisamos aqui), o terceiro jogo da série, mudou-a radicalmente alterando a perspectiva para a terceira pessoa e introduzindo um mundo aberto, que podia ser explorado livremente. Também foi introduzida a GeoMod 2, que permitia destruição dinâmica de construções (mas não mais de terrenos). Guerrilla é o meu jogo favorito da série, no qual eu gastei dezenas de horas completando missões da história e também opcionais. Red Faction: Armageddon é o mais recente jogo da série e, apesar de ter os seus momentos, ele não chega aos pés do antecessor e ficará para sempre marcado como o jogo que sentenciou o fim da série, já que a THQ anunciou que jogos novos de Red Faction não deverão mais ser produzidos.

Em Armageddon você controla Darius Mason, neto do protagonista de Guerrilla que deve salvar Marte de uma infestação de alienígenas sedentos de sangue. O mundo aberto, tão divertido de explorar e destruir em Guerrilla foi trocado por uma sequência totalmente linear de fases fracamente ligadas por uma história fraca e curta. A linearidade é tão grande que em vários pontos você não pode nem voltar pelo caminho por onde acabou de passar, pois se fizer isso o jogo lhe dá 10 segundos para voltar para a área permitida. Isso tira totalmente a liberdade do jogador e impede qualquer curiosidade e exploração de lugares diferentes.

Os eventos do jogo são muito mal explicados e muitos chegam a ser bobos, sendo basicamente uma desculpa para o objetivo principal do jogo “ande para a frente e mate tudo o que você encontrar”. Acontecimentos importantes da história por vezes não ganham nem 5 segundos de destaque e o jogo simplesmente pula para a próxima etapa subitamente. As fases são intercaladas por CGs mal feitas e visivelmente incompletas. Alguns personagens até são bem feitos e animados, como o próprio Darius, mas personagens como Kara e outros secundários são simplesmente risíveis.

 

A maior parte de Armageddon se passa no subsolo de Marte em ambientes cercados de paredes. Nessas salas a sensação é de que tudo é apertado demais, especialmente pela câmera que fica próxima demais do personagem. Guerrilla, por ter ambientes abertos e espaçosos não sofria disso, mas isso aqui pode até deixar você tonto, ainda mais quando há vários inimigos na tela e construções estão sendo destruídas, pois nestes momentos a taxa de frames por segundo dá um mergulho impossível de não ser sentido.

A grande característica da série, a destruição de objetos, ao menos continua muito divertida. É muito prazeroso soltar um tiro em um pequeno prédio e vê-lo desabando sobre si mesmo e ver os pedaços de metal voando para todos os lados. Uma nova arma introduzida no jogo, a Magnet Gun, ajuda bastante nessas demolições. Com ela você dispara dois tiros: o primeiro no objeto que você quer arrastar, e o segundo para onde você quer que este objeto seja arrastado. Quando os dois tiros são posicionados os pedaços voam magnificamente pelo ar e arrebentam o que estiver no caminho. Essa arma é ótima para derrubar prédios sobre inimigos e assim economizar munição.

 

Uma novidade do jogo é a multi-funcionalidade da Nano Forge (NF). A NF era um dos principais itens da história de Guerrilla e aqui o seu uso foi ampliado para não somente alimentar o Nano Rifle mas também para fornecer habilidades independentes das armas, como uma rajada de energia que afasta os inimigos, um escudo que protege Darius temporariamente, uma habilidade que deixa Darius mais forte por algum tempo e por fim uma emissão de energia que faz os inimigos próximos levitarem por algum tempo e levarem dano. A NF também pode ser usada para reconstruir objetos, sejam eles equipamentos pequenos, prédios ou pontes, o que permite que você destrua indiscriminadamente tudo ao seu redor e reconstrua posteriormente o que precisar.

Essas habilidades da Nano Forge não estão todas disponíveis no início do jogo. Agora há um sistema de upgrades, que consiste de rodas concêntricas de habilidades que são habilitadas à medida que se progride no jogo. Os upgrades são adquiridos com “salvage”, os itens que você pode coletar ao destruir objetos. Muitas melhorias são oferecidas além das já mencionadas: é possível obter mais resistência a danos, mais precisão nos tiros, mais eficiência nos headshots e assim por diante. Eu só achei incômodo os upgrades serem feitos apenas em máquinas encontradas em alguns pontos das fases e não a qualquer momento, mas isso pode ser relevado. Também vale notar que o sistema de upgrades é global para o jogo, ou seja, as habilidades que você adquirir em um jogo valerão para o próximo (através do New Game +) e também para o modo Infestation (mais sobre ele em breve).

 

A jogabilidade é a básica de jogos de tiro em terceira pessoa: R1 atira, L1 aproxima a mira, X pula, O faz dodge e assim por diante. O que muda aqui é que as lutas são sempre muito dinâmicas: os inimigos alienígenas pulam o tempo todo entre as paredes, o teto e o chão, fazendo com que você fique muito atento para a direção de onde os ataques estão vindo. O jogo oferece assistência de mira (o snap-to-target), o que facilita nas horas em que dezenas de inimigos estão chegando por todos os lados. O uso da destruição para causar danos aos inimigos ajuda a variar um pouco os combates, que não ficam apenas no “mire com o seu rifle na cabeça dele e atire”. Também há diversas seções com veículos, e ao contrário da maioria dos jogos aqui elas são realmente boas, com veículos fáceis de controlar e divertidos de usar.

Diversas armas estão à disposição do jogador ao longo do jogo. A forma de se ganhar essas armas só é meio estranha: geralmente no começo de cada fase a nova arma está jogada no chão no meio do seu caminho e você pode usá-la passando por cima dela. Várias armas interessantes e divertidas de usar vão surgindo, mas você é desestimulado a experimentá-las. As armas especiais, como o lançador de foguetes e o gerador de buracos-negros aceitam pouquíssima munição, que é bastante escassa e não pode ser obtida de inimigos mortos, como em outros jogos do gênero.

Você só pode carregar 4 armas ao mesmo tempo, mapeadas para as 4 direções básicas do direcional digital, então não faz muito sentido você trocar uma shotgun com 40 tiros por um lança-mísseis de 6, por exemplo. Você acabará, provavelmente, fazendo o mesmo que eu: carregar a Magnet Gun, o Assault Rifle (a arma com mais munição), a Shotgun (para encontros mais próximos com inimigos) e apenas uma arma diferente do comum para brincar. O ideal seria permitir que o jogador carregasse até 8 armas, uma em cada direção do digital, tal qual os jogos da série Fallout permitem. Isso faria com que, obviamente, você tivesse muito mais munição, o que poderia facilitar demais o jogo. Esse seria outro ponto que deveria ser melhorado, já que como é hoje, Armageddon já é extremamente fácil.

 

O jogo oferece 4 níveis de dificuldade, todos habilitados desde a primeira vez que se joga, sendo o mais elevado deles chamado de Insane. Eu comecei jogando diretamente nele, esperando um bom desafio, mas eu passei pelo jogo sem sofrer quase nenhuma resistência. Os inimigos são muito fáceis, a assistência da mira sempre funciona e os “chefes” não dão trabalho algum. Os únicos momentos em que você deve morrer são alguns “on rails”, em que você tem pouco ou nenhum espaço para se mexer e deve enfrentar dezenas de inimigos ao mesmo tempo. É uma dificuldade artificial e que não traz desafio, apenas irritação.

O desafio de verdade está no Infestation, um modo cooperativo de sobrevivência no qual você enfrenta diversas ondas de inimigos com até três amigos através da PSN. Esse modo pode ser jogado em 16 mapas diferentes e nos mesmos quatro níveis de dificuldade do jogo principal e, conforme já dito, com os upgrades conquistados durante a campanha. Aqui sim as suas habilidades serão testadas, pois são 30 ondas de dificuldade crescente em cada mapa e as mais avançadas, se jogadas no Insane, vão fazer você suar frio.

Red Faction: Armageddon é, portanto, uma boa ideia muito mal executada. Praticamente todas as conquistas de Guerrilla foram ignoradas aqui em prol de mudanças que acabaram por enterrar a série. Armageddon tinha potencial para ser muito bom e possui muitos detalhes legais, como estatísticas detalhadas de tudo que você faz no jogo, um sistema que acompanha o progresso dos troféus e o menu principal que varia de acordo com o progresso no modo principal (como nos jogos de Half-Life 2). Porém, as falhas são sérias demais para serem compensadas por esses detalhes. Destruir as coisas é, sim, divertido, mas depois de um tempo só isso não justifica um jogo, e resta a Armageddon ficar na categoria dos jogos a serem esquecidos assim que saem do seu campo de visão.

— Resumo —

+ Destruição dos cenários
+ Upgrades globais
+ Modo Infestation

Linearidade
Falta de dificuldade
Campanha curta
Limitação das armas
História e personagens ruins
Sentenciou a série Red Faction ao fim

70%