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[PSN] Final Exam

Análise

NOME: [PSN] Final Exam
FABRICANTE: Mighty Rocket Studio
PLATAFORMA: ps3
GENERO: Ação / Beat 'em up / Side-scroller
DISTRIBUIDORA: Focus Home Interactive


LANÇAMENTOS
06/11/2013 06/11/2013 Não disponivel


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Resolução: 720p

Número de jogadores: 1 a 2 local, 2 a 4 online

Tamanho: 725MB

Preço no lançamento: U$ 9,99

Troféus (sem platina)


Jogos de movimentação 2D, conhecidos como side-scrollers, voltaram a aparecer com grande frequência nos últimos anos, depois de ficarem quase esquecidos após a geração 16 bits. Final Exam é um jogo de porrada recém-lançado nesse estilo e que consegue fazer uma ótima mistura de elementos do passado com outros do presente. É um jogo muito divertido no geral, mas algumas decisões de design dele impedem que ele seja melhor do que é.
 
 
 
A premissa básica do jogo é batida: pessoas são pegas de surpresa por monstros que começam a surgir de todos os lados e elas devem se unir para sobreviver, matando tudo e todos que encontrarem pelo caminho. Você pode usar ataques físicos e armas de fogo e enfrenta diversos tipos de inimigos ao longo de 8 fases relativamente longas, com algumas lutas contra chefes no meio do caminho.
 
O sistema de combate do jogo é realmente muito bom e divertido: os ataques físicos têm impacto e são divertidos de executar. O jogo permite que você faça combos, que se acumulam à medida que se acerta um inimigo sem levar dano. O interessante é que o combo não reseta sozinho após algum tempo sem atacar, o que é a norma em outros jogos; ele só é zerado se você for golpeado por um inimigo. Isso permite que você, potencialmente, possa completar uma fase do começo ao fim com um combo de milhares de hits, dado que você tenha a habilidade para evitar danos.
 
 
 
Outra inovação legal é que você pode fazer um taunt (uma pose) a qualquer momento após chegar a 50 hits no combo, e ao fazer isso a pontuação do seu combo será aumentada significativamente, mas seu contador irá zerar. Isso permite uma estratégia grande para quem busca chegar ao topo dos rankings: você pode se satisfazer com um combo menor mas garantir seus pontos, ou pode tentar aumentá-lo e arriscar perder tudo se for golpeado. Isso mantem a tensão do jogo sempre alta e faz todas as lutas ficarem bem emocionantes.
 
As armas de fogo possuem munição geralmente muito limitada, mas elas podem fazer a diferença entre levar ou não dano e perder todo o seu combo. A mira é feita com o analógico direito, permitindo que você atire para o lado que quiser. Isso é especialmente útil na segunda metade do jogo, onde alguns inimigos se prendem ao teto e ficam longe dos seus ataques físicos.
 
 
 
Tanto as armas brancas quanto as de fogo não podem ser todas usadas assim que o jogo começa; cada fase possui 2 armas escondidas, e ao encontrá-las elas ficam à sua disposição para as próximas vezes que for jogar. As armas são bem variadas e possuem atributos diferentes, mas infelizmente eles não são detalhados; a descrição da arma só diz se ela é forte, rápida, leve e outras descrições de alto nível. Seria melhor ter números e talvez gráficos para cada uma, mas dá para viver sem isso.
 
O jogo oferece 4 personagens diferentes, cada qual com características diferentes: um é mais forte, outro possui mais vida, outro é melhor com armas e assim por diante. Os status dos personagens podem ser melhorados com pontos obtidos à medida que se progride no jogo, e também é possível adquirir habilidades para incrementar seu repertório: novos combos, desvios mais rápidos, ataques especiais e também algumas habilidades passivas, que ajudam você indiretamente.
 
 
 
Visualmente o jogo também merece elogios. Os gráficos 3D são bem estilizados e cartunescos e combinam com o espírito do jogo. As imagens que ilustram essa análise não fazem jus ao jogo: ao vivo, os cenários e personagens são mais bonitos (e menos serrilhados). Outro destaque são as cutscenes: na introdução de todas as fases há uma cena desenhada e animada que conta a história do jogo naquele ponto, e essas cenas são no mesmo estilo daquelas da série inFamous. Elas são muito bem desenhadas, animadas e narradas.
 
Para quem não gosta de jogar sozinho, Final Exam permite até 2 jogadores no modo cooperativo local e 4 no online. Jogar com amigos faz o jogo ficar melhor, mais divertido e mais competitivo, pois além de você brigar pela maior pontuação na rodada, os itens deixados pelos inimigos, como munição e recuperação de vida, são compartilhados e só o primeiro a chegar neles fica com o item. Eu e o Ivan gravamos duas sessões de co-op online, que vocês podem conferir a seguir:
 
 
 
 
 
Com tudo isso, Final Exam tinha tudo para ser um jogo excelente… Mas algumas decisões de design do jogo o penalizam de forma significativa. O principal defeito do jogo são os objetivos a serem cumpridos nas fases: há uma quantidade absurda de missões de coletar itens / partes de itens e juntá-las em um local (as chamadas fetch quests) e de defender um local ou uma pessoa. No começo isso não é ruim, mas conforme você avança e tem que fazer isso 10, 15 ou 20 vezes, a diversão dá lugar à exaustão.
 
As fases não são muito lineares e muitos dos objetivos das missões envolvem ir e voltar pelos mesmos locais inúmeras vezes, o que também é muito cansativo. Em muitas vezes você é obrigado a carregar algum objeto, o que faz você andar devagar e o impede de poder enfrentar os inimigos que aparecem, sendo obrigado a derrubar o objeto para poder lutar. Um mapa das fases seria de muita utilidade para cumprir alguns desses objetivos, mas o jogo não oferece nenhum, tornando a tarefa ainda mais árdua.
 
Outro grande problema é que, das 8 fases do jogo, 3 delas se passam praticamente no mesmo local: um parque de diversões. Em quase 40% do jogo você irá passar pelos mesmos cenários de fundo, o que se torna enfadonho rapidamente. Em um jogo com valor de produção tão alto em vários aspectos, ter a mesma fase repetida três vezes é não somente péssimo como inexplicável.
 
 
 
Os controles do jogo também deixam a desejar. Você só pode controlar os personagens com o analógico esquerdo, mesmo o direcional digital só ter uso apertando-o para cima ou para baixo, estando a esquerda e a direita sem nenhum comando. Eu só gosto de jogar side-scrollers com o digital, então a falta dessa opção é um problema para mim. Os controles não são customizáveis, e alguns comandos foram atribuídos a botões pouco intuitivos (a esquiva é no triângulo, por exemplo), fazendo a adaptação ser um pouco chata.
 
Final Exam tinha tudo para ser um dos melhores jogos deste ano, mas algumas de suas características fazem com que ele acabe morrendo na praia. Apesar de bastante customizável e bem divertido no começo, a repetição de cenários e de objetivos cansa o jogador, ao ponto de alguns poderem perder o estímulo de continuar até o final. Eu, infelizmente, entenderia e concordaria com isso.
 
Jogo analisado com código fornecido pela produtora.
70%