AnálisesPS3

Driver: San Francisco

Análise

NOME: Driver: San Francisco
FABRICANTE: Ubisoft Reflections
PLATAFORMA: ps3
GENERO: Corrida
DISTRIBUIDORA: Ubisoft


LANÇAMENTOS
02/09/2011 02/09/2011 10/11/2011


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Definição HD: 720p

Jogadores: 1 (campanha), 2 (split-screen), 2 a 4 (online)

Online Pass

Headset

Troféus


Driver: San Francisco é a prova de que jogos ainda podem arriscar hoje em dia e propor uma ideia tão diferente que pode parecer absurda, mas que na prática funciona e muito bem. Com uma jogabilidade tão inusitada quanto refinada, uma ótima cidade para dirigir e muitos carros bons, Driver: San Francisco (DSF) é não somente um jogo excelente, mas também é um dos meus favoritos deste ano e merece muito mais atenção do que tem recebido.

DSF é um jogo de corrida com uma jogabilidade totalmente arcade (lembra mais Burnout Paradise do que Gran Turismo ou Need for Speed: SHIFT), com um modelo de direção muito permissivo, que permite curvas fáceis mesmo a altas velocidades e estimula o drift a todo momento, seja com o freio normal para um drift mais leve ou com o freio de mão para um drift mais agressivo. É também um jogo muito focado na história. Você é John Tanner, um policial em uma longa missão para capturar o criminoso internacional Charles Jericho (a história aqui se passa alguns meses depois da história de Driv3r). Jericho está em São Francisco, na Califórnia, onde é capturado e preso, mas consegue escapar. Tanner e seu parceiro Tobias começam então a persegui-lo, mas Jericho engana os policiais e os empurra para um cruzamento, onde o carro de Tanner é acertado em cheio por um caminhão e ele entra em coma.

A maior parte do jogo se passa na mente de Tanner enquanto ele está em coma, e isso permite uma liberdade criativa muito grande. Em nenhum momento é ocultado o fato de que o que acontece é imaginário, mas Tanner só não sabe o porquê de estar imaginando isso. Ele inicialmente se assusta com os eventos, mas aos poucos ele, assim como você, vai se acostumando com a ideia e começa a aproveitar a situação e até a se divertir.

A grande sacada de DSF, que torna o jogo único dentre tantos outros jogos de corrida, é a mecânica de Shift. Ela permite que Tanner ao toque de um botão saia do carro que está dirigindo a qualquer momento e se torne uma “entidade flutuante”, que paira sobre as ruas e sobre os carros e possibilita que ele controle qualquer outro carro que ele escolher, “possuindo” o motorista. A visão neste modo se assemelha a ver um mapa no Google Maps. A transição carro -> Shift -> carro é muito rápida, sem nenhum atraso ou slowdown e em pouco tempo vai parecer natural para você. Conforme o jogo avança, você ganhará níveis de zoom diferentes para o Shift, permitindo que ao final você possa atravessar a cidade toda em poucos segundos, com o zoom bem afastado. Shift é a melhor inovação em um jogo de corrida desde os flashbacks dos jogos da Codemasters e é uma proposta muito estranha mas que funciona maravilhosamente bem e diverte a todo momento.

Você nunca precisa ficar preso a um só carro e também não precisa voltar para uma garagem para trocar (como em Burnout Paradise). Bastam dois toques no botão X e você pode pular de um Dodge Challenger para um Camaro SS, ou para um Audi Q7, ou para um Corvette Z06 ou para qualquer outro carro que quiser. A lista de carros contém, além dos mencionados, vários carros menores e mais fracos e outros maiores e muito potentes, incluindo dois de meus favoritos, o Nissan GT-R e a Lamborghini Murciélago LP670-4 SV, meu carro favorito do jogo. Caso você não encontre na rua o carro que quiser, basta ir em uma das várias garagens e comprá-lo usando a moeda do jogo.

Todos os carros do jogo são baseados em modelos reais e sofrem deformação realista, com amassados e vidros quebrados sempre proporcionais à sua batida. São 140 carros no total e você vai adorar dirigir a maioria deles. Em alguns momentos o jogo força você a correr com carros específicos, mas em grande parte você pode usar o carro que comprou e equipou na garagem. Isso faz com que você só precise de um ou dois carros e possa ignorar todo o resto. Lá pela metade do jogo eu consegui comprar a minha Murciélago e a partir de então eu não precisei de mais nenhum outro carro.

Para cada carro são apresentadas três características: velocidade, resistência e habilidade para fazer drift. A primeira é auto-explicativa; a segunda indica quanto dano seu carro pode sofrer antes de levar perda total; e a terceira indica quão fácil é controlar os drifts. Eu senti falta de muitas informações, como a dirigibilidade de cada carro, por exemplo. A Murciélago e o Pagani Zonda Cinque possuem as mesmas características, mas você consegue fazer curvas perfeitas com o primeiro e consegue rodar desastrosamente a todo instante com o segundo. Também podiam ter colocado dados técnicos de cada carro, para os fãs como eu saberem mais de cada um: o ano, qual o motor, o peso do carro e assim por diante.

A engine do jogo merece um destaque à parte, pois consegue fazer milagres. O jogo sempre roda a 60 quadros por segundo e em nenhuma das minhas dezenas de horas de jogo eu notei qualquer slowdown. Você pode sair dos carros usando Shift, afastar o zoom para mostrar a cidade toda, mover o seu foco para uma parte completamente diferente da cidade, aproximar e escolher o seu carro sem que nada “pule” na sua frente – só há loadings para iniciar o jogo e para começar os eventos. Os gráficos são muito bonitos, tanto nos modelos fielmente reproduzidos dos carros quanto nos cenários da cidade. É um jogo tão bonito de se ver quanto divertido de se jogar.

São Francisco foi recriada com bastante liberdade criativa, mas todos os pontos fortes da cidade estão no jogo: a ponte Golden Gate, a rua Lombard (aquela em zigue-zague), as auto-estradas e muitos outros. A cidade é realmente muito bonita e é divertidíssimo dirigir nela, seja nas ruas cheias de subidas e descidas ou nas estradas de alta velocidade. Só senti falta de variação de tempo (dia/noite) e climática, mas estes seriam apenas bônus e não diminuem em nada a qualidade do jogo.

O jogo funciona em um mundo aberto no qual você pode dirigir à vontade pelas áreas que já habilitou, e possui missões principais e opcionais. As principais seguem a história do jogo e são habilitadas conforme se completa uma certa quantidade de “missões da cidade", que mostram alguns personagens secundários e como eles lidam com as mais diversas situações atrás do volante. Essas missões são sempre divertidas, com personagens simpáticos e ótimos diálogos, e variam de simples corridas a “time attacks”, incluindo também missões de “destrua todos os itens pelo caminho” e até um modelo de “tower defense” que é muito bom de jogar. Variedade é o que não falta em DSF.

Além dos personagens das missões você vai se deparar com muitas situações bizarras nos diferentes carros que controlar usando Shift. De uma mãe recém-saída de um hospital psiquiátrico a um casal de bandidos ou a um casal de amantes, cada carro que você possui traz consigo uma micro-história. É um toque interessante e que dá vida ao jogo. Espere dar boas risadas com alguns encontros que tiver.

Como não poderia deixar de ser, DSF possui um multiplayer com diversos modos e progressão por nível. Você encontra pessoas aleatórias em salas públicas, ou organiza salas privadas com seus amigos, e pode jogar diversos tipos de corrida e ganhar pontos de experiência para subir de nível e habilitar novas opções. Jogar online é divertido, assim como o jogo normal, e sempre rodou sem lag, mas na minha experiência eu tive dificuldade em encontrar pessoas para jogar, e quando encontrei tive dificuldades para jogar seriamente, já que enfrentei muitos jogadores que tinham como objetivo sacanear todos os outros, jogando-os pra fora das pistas e fazendo eles rodarem e ficarem pra trás. Um sistema de punição para jogadores assim, como existe em GT5, seria muito bem vindo.

Eu mencionei Burnout Paradise diversas vezes nesta análise, um jogo que eu adoro de coração. O motivo disso é que DSF, para mim, é um sucessor espiritual de Paradise. A mesma diversão que tive lá eu encontrei aqui, só que em uma cidade real, com carros reais e pessoas atrás dos volantes e nas calçadas. Ambas as cidades são ótimas para se dirigir, possuem muitos caminhos alternativos e atalhos, além de colecionáveis que estimulam a exploração dos cenários. As divisões de veículos são praticamente as mesmas, com veículos bons de velocidade, de resistência e de fazer manobras. Ambos os jogos também são extremamente viciantes e possuem uma trilha sonora excelente.

Driver: San Francisco me surpreendeu demais. Eu comecei o jogo esperando algo mediano e encontrei uma pérola em meio a tantos lançamentos de maior peso neste ano. Ele pode não ser perfeito e possui muitos pontos que poderiam ser melhores, como alguns modelos de personagens que são simplesmente feios, a sincronia labial que deixa muito a desejar e a seleção de carros nas garagens, que é um tanto quanto burocrática e demorada. Contudo, nada disso tira o brilho do jogo. Driver: San Francisco é pura alegria do começo ao fim, com uma mecânica de jogo inovadora e que funciona muito bem, e deveria ser jogado por qualquer um que goste de se divertir ao volante, mesmo que virtual.

 

— Resumo —

+ Mecânica de SHIFT é ótima
+ Engine é impecável
+ Mundo aberto com uma cidade muito divertida de explorar
+ Muitos carros reais e bem modelados
+
História é interessante
+ Diversos tipos de eventos diferentes
+ Ótima trilha sonora

Faltam informações sobre os carros
A maioria dos carros não é muito útil
Sincronia labial dos personagens é ruim
Selecionar um carro nas garagens é demorado
Multiplayer pouco povoado e com muitos trolls

95%