AnálisesPS3

Borderlands 2

Análise

NOME: Borderlands 2
FABRICANTE: Gearbox Software
PLATAFORMA: ps3
GENERO: Tiro em primeira pessoa / RPG de ação
DISTRIBUIDORA: 2K Games


LANÇAMENTOS
21/09/2012 21/09/2012 25/10/2012


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Definição HD: 720p

Jogadores: 1-2 (split-screen)

Jogadores em rede: 2-4

Leaderboards

Headset

Troféus

DLCs


Borderlands 2 é pura diversão. Do primeiro momento em que você liga o jogo e assiste a introdução, até a luta final com o “último” chefe, você vai se divertir muito matando tudo e todos que encontrar, completando dezenas de missões da história e opcionais e, principalmente, coletando armas. Armas e mais armas. A fórmula de tiro em primeira pessoa aliada a elementos de RPG, que já funcionava bem no primeiro jogo, aqui está ainda melhor.

O primeiro Borderlands era totalmente focado na jogabilidade e nas armas, ignorando quase completamente a história por trás do jogo. Isso foi corrigido na continuação: agora há um vilão bem caracterizado, Handsome Jack, que lidera a corporação Hyperion na busca por limpar Pandora (entenda: matar tudo que existe) e extrair todas as riquezas do planeta. Também há um novo Vault, um objetivo que Jack quer alcançar a todo custo, e cabe aos 4 novos Vault Hunters (os personagens que você controla) impedir que isto aconteça.

 


O jogo oferece 4 novos personagens para serem controlados: Salvador, o Gunzerker; Axton, o Commando; Zer0, o Assassino e Maya, a Siren, sendo a única classe que retorna do jogo anterior. Cada classe ainda possui uma habilidade única, chamada Action Skill, que a diferencia, e que é o principal motivador para a escolha de com quem você quer jogar.

Salvador empunha duas armas simultaneamente por um certo tempo, Axton ativa uma mini-metralhadora portátil (turret), Zer0 ativa um holograma dele mesmo e fica invisível por alguns segundos, e Maya usa sua habilidade de Phaselock, que deixa um inimigo suspenso no ar enquanto você concentra seus ataques neles, ou o tira da luta para concentrar em outros inimigos. Cada classe oferece muitas vantagens e desvantagens, então você vai ter que experimentar com cada uma para ver de qual gosta mais. Eu, por exemplo, só joguei de Lilith no primeiro jogo, mas não gostei da Maya, tendo escolhido Zer0 como meu personagem principal.

A customização dos personagens, que era extremamente limitada no primeiro jogo, recebeu um bom upgrade em Borderlands 2. Agora você pode escolher a cabeça de seu personagem e as cores de suas roupas, e não fica limitado ao que é oferecido inicialmente. Várias novas cabeças e skins são encontradas, compradas ou ganhadas no decorrer do jogo e permitem que cada um estilize o seu personagem como preferir. A customização ainda poderia ser melhor e mais extensa, mas já é um passo na direção certa.

 


A história como um todo e a apresentação do jogo realmente melhoraram muito em relação ao jogo anterior, e você não vai mais se sentir como apenas indo do ponto A ao ponto B sem explicação. O que ajuda muito nesse aspecto é o retorno dos 4 protagonistas do jogo original, agora como NPCs. Você encontra Roland, Lilith, Mordecai e Brick ao longo do jogo e eles vão ajudar você a derrotar Jack e “salvar” Pandora.

É bem legal encontrar os personagens do primeiro jogo, agora cheios de personalidade e dispostos a ajudar você na sua missão. Me lembrou muito das duas primeiras temporadas do desenho de Digimon: eu gostei muito da primeira, ela era completa por si só, mas aí veio a segunda parte e os heróis do original voltam, mais velhos, mais maduros e você tem um novo ponto de vista sobre eles. Borderlands é o Digimon dos videogames para mim.

O jogo ainda é centrado em missões principais e opcionais com objetivos básicos: mate tal personagem, colete tais itens, e assim por diante. Algumas novidades são objetivos opcionais, que rendem mais dinheiro ou XP ao final da missão, e objetivos mutuamente excludentes. Por exemplo, em uma missão você deve coletar um certo item. Caso entregue ele para tal personagem pode receber este prêmio; caso entregue para outro, recebe aquele outro. As missões nunca pareceram forçadas ou chatas para mim, e sempre serviam para encontrar novas armas e ganhar mais XP, melhorando meu personagem.

 


Minha única ressalva é que em várias missões os objetivos bugavam: inimigos não apareciam, itens para coletar não apareciam, itens da missão não faziam o que deveriam… A única solução nesses casos é sair do jogo e entrar novamente, forçando você a chegar novamente até o objetivo, podendo perder vários minutos ou até horas dependendo da missão.

Os cenários receberam uma melhoria significativa em Borderlands 2. O original tinha basicamente um cenário: marrom e poeirento. Agora as áreas são bem variadas, indo de geleiras a cavernas repletas de ácido, não esquecendo um vulcão ativo. O visual do jogo está fantástico: todos os cenários, personagens, objetos e tudo mais são muito bem feitos, coloridos e bonitos de se ver. Uma ressalva é que em alguns locais é muito fácil cair do cenário e morrer, já que não existem paredes invisíveis para bloquear os limites dos mapas. A cada morte você gasta uma pequena fortuna para reviver, e isso é um problema quando o dinheiro não está sobrando e você tem que andar de costas, atirando em uma dúzia de inimigos prontos para matar você. Aconteceu comigo inúmeras vezes, e era frustrante em cada uma delas.

Nem sempre o jogo dá conta de tudo o que tem que mostrar. Assim como em todos os jogos que usam a Unreal Engine 3, sempre que uma área ou objeto novo é mostrado na tela, você vê as texturas dele sendo carregadas aos poucos. Não é um problema grave, mas chama bastante a atenção toda vez. Também encontrei diversas situações em que o jogo “esquecia” de carregar uma textura, e inimigos ou itens do cenário apareciam totalmente pretos, apenas com a sua forma poligonal. De novo, não afeta o jogo em si, mas é muito estranho enfrentar um inimigo totalmente preto e opaco.

 


Borderlands era totalmente focado no loot, em coletar armas, escudos e modificadores de granadas diferentes, e em comparar cada novo item encontrado com aqueles que você já tinha. A alegria de encontrar ou ganhar uma nova arma muito melhor do que a sua era enorme, e essa sensação volta na continuação, mas ainda mais forte. Nos dois jogos as armas são geradas de forma procedural, ou seja, são criadas quando são necessárias, juntando-se diversas partes e modificadores para formar a arma completa. Havia milhões de combinações possíveis no original, e agora há ainda mais. É arma que não tem fim.

As armas agora são ainda mais diferenciadas umas das outras, com muitas partes que são combinadas para criar efeitos práticos (como pentes maiores, ou melee com mais dano) ou apenas para incrementar o visual dela. O grande diferencial das armas aqui se dá nos seus fabricantes. Já havia diferentes fabricantes no primeiro jogo, mas as armas no geral eram muito parecidas. Agora, cada fabricante possui características únicas.

As armas Jakobs possuem fire rate muito alto, pouca precisão e dano alto, e geralmente tem um visual antigo, meio velho-oeste. As armas Hyperion são bem tecnológicas, e possuem estabilizadores que melhoram a precisão dos disparos conforme você segura o gatilho. As Maliwans são sempre elementais e as Torgue sempre disparam tiros explosivos. As mais diferentes de todas, contudo, são as Tediore. Ao recarregar uma arma Tediore, você não troca o pente dela: você joga a arma para onde estiver mirando e ela explode como uma granada, e outra é digitalmente construída na sua mão. Elas são as armas mais táticas, pois cada bala que ainda está no pente quando a arma é recarregada aumenta o dano da arma jogada, mas você perde aquelas balas e diminui o seu estoque. Fica a seu critério decidir como melhor usar essas armas.

 


Tudo que você faz no jogo, de matar inimigos a usar itens de determinado tipo, é computado e contabilizado nas centenas de challenges (desafios) do jogo. Cada challenge tem alguns pré-requisitos que ao serem cumpridos rendem Badass Ranks, um sistema novo nessa continuação. A cada X Badass Ranks adquiridos você ganha um Badass Token, moedas que podem ser usadas para melhorar um dos vários status do seu personagem: precisão dos tiros, pontos de HP, chance de causar dano elemental, dentre outros.

Essas melhorias se aplicam a todos os personagens que você criar, mas os challenges são dependentes do personagem, Ou seja, você pode cumprir centenas de challenges com um personagem, usar os Tokens pra melhorar esse personagem, e ao criar outro personagem você terá os benefícios do anterior e ainda a possibilidade de refazer os challenges e ganhar mais Tokens. Cada Token aumenta muito pouco o status em que é aplicado (começa em 1% e vai reduzindo para 0,8%, 0,5% e assim por diante), então é uma melhoria pequena, mas que faz a diferença e estimula a jogar várias vezes, com vários personagens.

Jogar Borderlands fica ainda melhor quando você tem amigos. O jogo permite que até duas pessoas joguem em split-screen ou até 4 pessoas online. A cada novo jogador, o jogo escala a dificuldade dos inimigos, deixando eles mais difíceis, e também melhora a quantidade e a qualidade dos itens encontrados. Em todas as minhas tentativas o jogo rodou muito bem, nunca apresentando lag ou problemas ao jogar online. Jogar de forma cooperativa é a forma ideal de se jogar Borderlands, e ter mais 3 amigos com quem compartilhar a experiência é essencial.

 


Falando em compartilhar a experiência, uma decisão de design em Borderlands me incomoda um pouco: o loot compartilhado. Todos os itens, desde os encontrados até aqueles deixados por inimigos mortos são compartilhados entre todos os jogadores da sala. Se você estiver jogando com desconhecidos, ou com amigos sacanas, vai ser cada um por si na hora de coletar o loot. Por isso eu enfatizo: jogue com amigos e combinem o que vão fazer. Sejam razoáveis e não saiam pegando tudo que encontrem. A experiência deve ser cooperativa, pois senão alguém sempre vai sair perdendo.

Mesmo se você estiver sozinho, jogar Borderlands 2 é uma experiência sensacional. O jogo é muito divertido, muito longo e muito recompensador. É recheado de referências culturais e Easter Eggs, e repleto de piadinhas o tempo todo. Há personagens para todos os estilos de jogo, e todos eles são bons à sua maneira. Há milhões, talvez até bilhões de armas possíveis para serem usadas, e a cada minuto de jogo você vai ter a chance de encontrar uma que supera em tudo aquela que você já tem. É um jogo completíssimo por si só, contando com o modo normal de jogo, um modo mais difícil habilitado depois que se termina (chamado True Vault Hunter Mode), e que vai receber DLCs por um bom tempo ainda. Não tenha dúvidas: se ainda não o fez, compre o seu e jogue imediatamente. Jack está esperando para matar você.

 


— Resumo —

+ Armas, armas e mais armas
+ Gráficos ótimos
+ Diversão que dura muito
+ Cooperativo local e online
+ Badass Ranks e Badass Tokens

Bugs em missões
Texturas problemáticas
Loot compartilhado no multiplayer

 

 

93%