AnálisesPS3

Assassin's Creed IV: Black Flag

Análise

NOME: Assassin's Creed IV: Black Flag
FABRICANTE: Ubisoft Montreal
PLATAFORMA: ps3
GENERO: Ação / Aventura / Stealth
DISTRIBUIDORA: Ubisoft


LANÇAMENTOS
29/10/2013 29/10/2013 29/10/2013


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Número de jogadores na campanha: 1

Multiplayer: 2 a 4 jogadores no co-op; 2 a 8 no competitivo

Leaderboards

Troféus (com platina)

Headset

DLC

Espaço necessário: 5 GB

Online Pass

Season Pass

Também disponível para o PS4 (upgrade por U$ 10)


Assassin's Creed é uma série que transita no limiar entre a qualidade e a quantidade. Apesar de nenhum jogo da série ser necessariamente ruim, desde 2009 nós temos lançamentos anuais de jogos da série principal e, dada a necessidade de se lançar uma nova edição a cada ano, é pouco o tempo de desenvolvimento para fazer um jogo que realmente se destaque.
 
Assassin's Creed II (AC2) foi para mim o ápice da série, seguido de perto por Brotherhood (ACB). Depois do primeiro AC, um bom jogo mas muito chato e cheio de falhas, AC2 conseguiu ser melhor que o original em tudo, evitando que a série fracassasse. Revelations (ACR) e Assassin's Creed III (AC3) começaram a sofrer dos males da anualização, e mesmo eu gostando muito da série, o que vi sobre esses dois últimos jogos não me estimulou a experimentá-los. Desde 2010 eu não jogava um Assassin's Creed novo e, sinceramente, a série não fez falta nesse período.
 
Com Assassin's Creed IV, resolvi dar uma nova chance para a Ubisoft graças à temática pirata oferecida no jogo. Felizmente para mim e para todos os jogadores, Assassin's Creed IV: Black Flag (AC4) é um jogo excelente, impecável na maioria dos aspectos, e é sem dúvidas um dos melhores da série.
 
Aviso: a partir deste ponto a análise contém spoilers da história dos jogos anteriores da série, mas sem spoilers de AC4. A seção de comentários da análise também pode conter spoilers. Você foi avisado.
 
 
 
AC4 continua, no presente, a história de AC3, mostrando os eventos que sucederam à morte de Desmond Miles. Você controla um empregado da Abstergo Entertainement, ramo da empresa-vilã da série dedicado a produzir conteúdos interativos e filmes a partir de experiências de seus empregados em máquinas Animus, que permitem a eles vivenciarem o passado através de suas “memórias genéticas”.
 
A história do presente começa de forma muito repentina, sem fazer sentido algum, mas aos poucos ela é melhor explicada. Apesar de não ser exatamente boa, sendo um pouco forçada às vezes, ela cumpre o seu papel. O que eu mais gostei dessa parte do jogo é a metalinguagem total com que a Abstergo Entertainement é retratada: ela é a própria Ubisoft, que faz graça consigo mesma nos vídeos e textos encontrados nessa parte.
 
A história do passado, por outro lado, acontece antes dos eventos de AC3. O protagonista do jogo é Edward Kenway, avô de Connor, o protagonista de AC3. Ele é um corsário (pirata autorizado por um governo), que acaba se tornando um pirata de verdade após uma série de incidentes. Eventualmente, Kenway entrará em contato com os Assassinos, e após vários conflitos ele se junta à causa deles na eterna luta contra os Templários.
 
Assim como em todos os ACs, Edward irá interagir com diversas personalidades históricas, como os piratas Edward Thatch, conhecido como “Barba Negra”, Benjamin Hornigold, Anne Bonny, Charles Vane e outros. Todos os personagens principais do jogo são ótimos e muito bem interpretados por seus dubladores, com destaque especial para Kenway, que é tão carismático quanto Ezio era em AC2 e é, juntamente dele, o melhor dos protagonistas da série. AC4 oferece legendas e dublagens em Português Brasileiro, mas eu achei as vozes bem ruins e artificiais, preferindo as originais em inglês na maior parte do jogo.
 
 
 
O jogo se passa no Caribe, durante o auge da pirataria no Século XVIII, e retrata várias ilhas e cidades que compõem a região, como Havana (Cuba), Kingston (Jamaica), Nassau (Bahamas) e várias outras. As cidades são como as dos outros ACs, cheias de casas e construções que podem ser escaladas, lojas para adquirir produtos, locais para se esconder quando em perigo, colecionáveis, etc.
 
Para transitar entre as ilhas, Kenway utiliza o seu navio pirata, Jackdaw, e essa parte do jogo é um diferencial tão grande que por si só ela faz AC4 valer a pena. A navegação, que já existia de forma limitada em AC3, aqui é bastante expandida, sendo possível você navegar para onde quiser, quando quiser. O mapa do jogo é imenso, contendo centenas de ilhas grandes e pequenas, e ele é dividido em diversas regiões classificadas de “fáceis” a “difíceis”, para você se preparar caso queira se aventurar.
 
O Jackdaw começa como um pequeno navio, com poucas e fracas armas e com uma armadura frágil, mas conforme você progride no jogo novas peças e partes podem ser adquiridas, melhorando o seu navio e alterando o seu visual. Ao final dos upgrades, o seu navio será uma obra-prima de guerra, armado até os dentes e com capacidade de enfrentar qualquer oponente que surgir.
 
Os mares caribenhos não são um lugar seguro no jogo, e você irá encontrar diversos perigos em alto-mar: tempestades e furacões podem assolar o seu caminho e arrasar você, e navios de guerra espanhóis, ingleses e portugueses não terão dó de afundá-lo caso cruzem o seu caminho.
 
 
 
Seu navio possui diversos tipos de armas de curto, médio e longo alcances, e o melhor uso delas exige raciocínio e uma boa estratégia. O navio não é ágil nem fácil de ser manobrado, forçando você a usar os ventos e as ondas do mar a seu favor para evitar fogo inimigo enquanto dispara contra eles.
 
É difícil explicar isso em palavras, mas a navegação e o combate naval de AC4 são muito, muito bons e justificam a existência do jogo, sendo a melhor parte dele de longe. Seja na primeira ou na centésima vez, eu me diverti à beça nesses momentos, que no início eram difíceis e me faziam morrer frequentemente, mas que com o tempo foram ficando mais manejáveis graças aos upgrades do navio.
 
Além de enfrentar os navios inimigos, após causar uma certa quantidade de dano neles eles ficam incapacitados, imóveis e sem atacar você. Nesse momento você pode afundá-los e ganhar uma certa quantidade de recursos, ou pode atracar o Jackdaw no outro navio e invadi-lo, iniciando um mini-jogo sensacional de captura que rende o dobro de recursos.
 
Há diversos tipos de navios, de pequenos a gigantescos, e cada um deles possui um objetivo para ser capturado, de matar um certo número de marinheiros a capturar a bandeira inimiga, e toda ocasião de captura é um momento de grande tensão e empolgação. Você e os piratas do seu navio pulam para o outro e um combate frenético acontece, com os dois lados avançando violentamente sobre o outro enquanto uma música espetacular toca ao fundo. São momentos sensacionais e que só podem ser realmente apreciados quando se joga.
 
 
 
Após capturar o navio inimigo você tem algumas opções à disposição: você pode desmontá-lo e usar suas partes para restaurar os danos do Jackdaw, pode liberar o navio para reduzir o sei nível de “procurado”, ou pode enviá-lo para a Frota de Kenway, conjunto de navios que velejam sob o comando de Edward e que são utilizados em outro ótimo mini-jogo de AC4.
 
A Frota pode ser controlada a partir da cabine de Edward no Jackdaw, e permite que você envie os navios capturados a missões ao redor do mundo para trocar mercadorias e receber dinheiro que pode ser usado nas lojas do jogo. Você também pode enfrentar inimigos aqui, numa espécie de Batalha Naval automática, e a vitória lhe rende mais recursos para trocar e gerar mais renda. Esse mini-jogo também pode ser integralmente jogado na Companion App do jogo, disponível para Android e iOS, permitindo que você ganhe dinheiro para o jogo principal mesmo quando estiver longe do console.
 
Nem todo momento de navegação é feito de tensão, contudo. Enquanto você se desloca de uma ilha para a outra, sem inimigos ou tempestades, você irá experimentar momentos de tranquilidade, em que só você, seu navio e sua tripulação velejam pelo mar azul. São momentos em que é possível relaxar e apreciar a beleza do jogo e a camaradagem de seus companheiros. Durante essas viagens os piratas entoam canções tradicionais de pirataria, cantando a capella músicas que falam da vida no mar, de belas mulheres, de rum e de tesouros escondidos. São dezenas de músicas, várias delas obtidas na forma de colecionáveis espalhados pelo mundo, e algumas delas são simplesmente maravilhosas.
 
Com o navio também é possível realizar outras duas atividades complementares, ambas igualmente divertidas. A primeira delas é caçar tubarões e baleias, que fornecem materiais para construir equipamentos melhores para Kenway. Em pontos específicos do mapa você abandona o navio e utiliza um pequeno barco para caçar, o que exige paciência e precisão, pois você deve atirar arpões e evitar ataques dos animais, que podem facilmente destruir seu barco e matar você.
 
 
 
A outra atividade é mergulhar em locais de naufrágios em busca de tesouros perdidos. Edward utiliza um equipamento especial do navio para mergulho e nada no fundo do mar abrindo baús enquanto maneja o seu ar restante e evita perigos como serpentes marinhas, ouriços venenosos e, o pior de tudo, tubarões. Os comandos debaixo d’água são surpreendentemente bons e intuitivos, fazendo com que essa atividade seja bem divertida.
 
No aspecto visual o jogo é impressionante, no geral, com cores muito vivas, águas muito bem coloridas e brilhantes e ilhas com vegetação bem densa e bem feita. Porém, AC4 sofre de muitos pop-ups gráficos, com objetos aparecendo subitamente na tela, e com sombras extremamente serrilhadas e que chegam a distrair em cenas que as mostram mais de perto. A taxa de frames também sofre bastante, com quedas frequentes em cenários mais carregados. AC4 é bonito no PS3, mas com certeza deve ser espetacular na versão para PS4.
 
As missões principais do jogo alternam entre as já tradicionais da série, como assassinar alguém ou escutar uma conversa sem ser detectado, e as novas envolvendo o navio. Apesar de nenhuma delas ser ruim, a variedade das missões é pequena e a repetição de objetivos é constante, o que torna o jogo um pouco cansativo às vezes.
 
A jogabilidade também não sofre grandes alterações aqui. O sistema de free run funciona bem na maior parte das vezes, mas ocasionalmente ele fará você pular para o lado errado e para a morte. Edward possui as lâminas ocultas tradicionais da série e um par de espadas para combate direto, armas de fogo para situações de emergência e dardos para distrair os inimigos em momentos de stealth. Armas e espadas melhores podem ser compradas nas lojas, e os dardos podem ser incrementados com recursos obtidos via caça a animais.
 
 
 
O combate é cada vez mais inspirado naquele da série Batman: Arkham, mas sendo bem mais “travado” e sem conseguir ser tão bem feito quanto aquele. O sistema de contra-ataques e execuções funciona bem na maior parte das vezes, mas em inúmeras situações eu era surpreendido por inimigos que me atacavam de fora da tela, sem aviso e sem tempo para reagir. 
 
Além do modo principal, AC4 traz também o multiplayer que surgiu em ACB e que, na época, me divertiu bastante. No geral, o modo continua muito bom, exigindo estratégia e cooperação para que seu time vença, e a melhor forma de jogar é com amigos ou conhecidos, já que muitas pessoas aleatórias não jogam direito e saem correndo estupidamente pelo mapa o tempo todo.
 
O problema é que a Ubisoft, em sua ganância virulenta, adicionou desde AC3 microtransações para a aquisição de habilidades no multiplayer. Ainda é possível jogar honestamente, ganhando pontos de experiência e subindo de nível para destravar os novos itens, mas também é oferecida a possibilidade de utilizar dinheiro de verdade para adquirir moedas especiais que destravam os itens sem depender do seu nível. Ou seja, você pode jogar por 20 horas, chegar no nível máximo e assim destravar a melhor habilidade, ou pode gastar 5 dólares e destravá-la sem nem mesmo ter jogado uma partida. Esse é o pior tipo de microtransação, chamado de “pay 2 win” (pague para vencer), que desbalanceia o jogo e afeta a comunidade, e essa é uma doença dos jogos modernos que eu só posso esperar que seja extirpada o mais cedo possível.
 
Assassin's Creed IV: Black Flag é um jogo excelente e para mim é o melhor da série ao lado de Assassin's Creed II. Assim como este fez em 2009, AC4 salva a série do marasmo e do perigo de ir para o caixão prematuramente. O jogo tem algumas falhas severas, como uma história dos dias atuais mal contada, problemas gráficos constantes e um multiplayer desbalanceado pela adição repugnante de microtransações, mas nada disso é motivo para não experimentar o jogo. A navegação pelos mares caribenhos é fantástica, Edward é um ótimo protagonista e eu só posso esperar que a Ubisoft faça mais jogos na mesma linha de AC4. Viva a pirataria!
 
Imagens: Divulgação (não representam a qualidade gráfica do jogo no PS3).
 
Jogo analisado com cópia em disco fornecida pela Ubisoft Brasil.
97%