AnálisesPS3

Assassin's Creed III

Análise

NOME: Assassin's Creed III
FABRICANTE: Ubisoft Montreal
PLATAFORMA: ps3
GENERO: Ação/Aventura
DISTRIBUIDORA: Ubisoft


LANÇAMENTOS
31/10/2012 31/10/2012 15/11/2012


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Definição: 720p

Downloadable Content (DLC)

Multiplayer: 2-8 (online)

Troféus

Headset

Espaço Mínimo no HDD: 4,5 GB

3D


Quando analisei Assassins Creed: Brotherhood (ACB) em 2010, fiz questão de ressaltar que, embora sempre haja o medo de descaso e descuido com uma franquia quando ela passa a ser anual, o jogo respondia apenas por sua própria qualidade. Esse temor veio novamente à tona ano apssado com o lançamento de Assassins Creed: Revelations (ACR), que embora longe de ser ruim, não foi tão grandioso quanto ACII e ACB. Este ano, porém, a situação é diferente. Desenvolvido por mais tempo, com uma nova engine gráfica e um novo protagonista e prometendo encerrar a história de Desmond, Assassins Creed III (ACIII) chega para provar que, embora sem nenhuma melhoria significativa em relação aos jogos passados, a série segue firme e sem perder seu brilhantismo.

Com tantos AC nos últimos anos, pode ser difícil para alguns acompanhar o enredo. Vamos tentar resumir com poucos spoilers: seu personagem principal “de verdade” é Desmond Miles, um membro renegado do Clã dos Assassinos. Desmond é capturado pela companhia Abstergo, que o coloca em uma máquina chamada Animus, um dispositivo que analisa o DNA da pessoa e a faz reviver as memórias de seus antepassados como se fosse um videogame. Abstergo, na verdade, é a fachada moderna para os Cavaleiros Templários, que estão em guerra com os Assassinos desde tempos imemoriáveis. Revivendo o passado de Altair Ibn Lahad, na época das Cruzadas e tendo muitas habilidades de seu antepassado transferidas para si próprio através do Animus, Desmond descobre sobre um poderoso artefato chamado Piece of Eden, bem como um aviso sobre uma catástrofe próxima que trará o fim do mundo como o conhecemos.

Fugindo da Abstergo com a ajuda de outros Assassinos, Desmond entra novamente no Animus, a fim de usá-lo para adquirir em pouco tempo habilidades que demorariam anos para serem desenvolvidas. Desta vez, as memórias apresentadas para Desmond são de Ezio Auditore da Firenze, um Assassino italiano da época da Renascença. Além de adquirir as proezas de Ezio para o combate, Desmond descobre a localização de outros Pieces of Eden, e aprende sobre uma raça ancestral chamada Those Who Came Before, que continuam a avisá-lo sobre o fim iminente. Desmond continua sua busca e chega a um dos Pieces, mas tem seu corpo controlado por um dos Those Who Came Before e mata um de seus companheiros, caindo em um coma profundo. Levado novamente ao Animus, Desmond é forçado a viver o restante das memórias de Altair e Ezio, sendo enfim libertado e tendo conhecimento de para onde seguir para evitar a catástrofe.

Aqui, começamos ACIII: Desmond chega a um templo trancado, e logo é levado de volta ao Animus para encontrar a chave do lugar. Tendo esgotado as memórias de Altair e Ezio, entra em cena o segundo protagonista de ACIII, Ratonhnhaké:ton (leia-se “ratonraquéton”), um Assassino nativo-americano (índio, para os que estiverem em dúvida) que viveu nos Estados Unidos em meio à sua Guerra de Independência, por volta dos anos de 1700.

A maior parte da história de ACIII, a exemplo de seus antecessores, é focada no antepassado, e temos então a oportunidade de acompanhar Ratonhnhaké:ton desde sua infância até boa parte de sua vida adulta. Ao contrário de muitos outros Assassinos, Ratonhnhaké:ton não nasceu dentro da Irmandade, sendo filho de uma mãe nativa e um pai britânico. Eventos levam a um massacre de seu povo e fazem o jovem nativo a deixar sua aldeia e procurar o clã dos Assassinos, acabando por encontrar Acchilles Davenport, um Assassino negro aposentado que agirá como um mentor para Ratonhnhaké:ton. Treinado para matar e já a par da guerra secular entre Assassinos e Templários, Ratonhnhaké:ton passa a usar o (muito mais fácil) nome Connor Kenway para se misturar mais facilmente à sociedade americana e executar sua missão.

A série AC usa para seus enredos a chamada ficção histórica, ou seja, o jogo apresenta eventos reais e os distorcem para incluir sua própria história em meio a eles. Para os menos familiares com esse funcionamento, basta lembrar do clássico Metal Gear Solid 3: Snake Eater, que justifica a Crise de Mísseis de Cuba com a abdução de Sokolov. EM ACIII, a bola da vez é a Revolução Americana, então pode esperar que Connor tenha contato com figuras históricas como George Washington, Charles Lee, Benjamin Church, William Johnson, Benedict Arnold e muitas outras figuras importantes para a história americana. A caracterização dos personagens e o retrato de época soberbos são marcas registradas de AC e ACIII não decepciona, inserindo sua guerra entre Assassinos e Templários em meio à luta pela independência das colônias de forma magistral – nenhuma outra série que se utiliza deste artifício de narrativa o faz com o esmero e atenção a detalhes de AC. Isso sem falar que a história original em si é ótima, e o começo do jogo – propositadamente mais lento, devo dizer – culmina em um momento realmente chocante logo ainda no início, e o enredo se mantém forte até o final.

Há de se ressaltar também que, apesar de todos os trailers mostrando Connor matando Redcoats (o apelido dado aos soldados ingleses), apesar de toda a especulação da mídia de que este seria mais um jogo “viva os EUA”, apesar de todo o ceticismo de alguns frente às garantias da Ubisoft, ACIII está longe de ser um ode aos ideais estadounidenses. Pelo contrário, o jogo questão de levantar pontos desconfortáveis para os norte-americanos, como a baixa competência militar de Washington, a exploração do povo indígena pelos colonos, atos de atrocidades de ambas as partes e mais. O foco do jogo não é a “justiça” do lado das colônias ou da Grã-Bretanha, e sim a guerra de Connor contra os Templários. A maturidade com que o tema é abordado só faz crescer os elogios para a muito bem-bolada trama da Ubisoft.

Do lado de Desmond, porém, as coisas são um pouco mais complicadas. Não que a história de Desmond seja ruim – longe disso, que fique claro -, mas diferentemente dos outros jogos, ACIII “exige” conhecimento “extra” da série para ser bem compreendido. Estes “extras” incluem um DLC de ACR e a HQ de AC, focada em Daniel Cross e seu antepassado russo, Nikolai Orelov. Não que o enredo seja ininteligível sem estes extras, mas sem eles, parte do que acontece com Desmond pode soar estranho e confuso. No mais, Desmond brilha em ACIII muito mais que nos jogos passados e não decepciona.

Existem algumas poucas mudanças no esquema de controle, como o free-run agora ser feito segurando-se apenas o R1 e os contra-ataques fornecerem mais opções, mas nada muito gritante. Adições feitas em ACB (kill streaks, recrutar assassinos) e ACR (arma secundária em triângulo) são mantidas em ACIII, então quem jogou os títulos anteriores estará bem familiarizado com os controles. Seu personagem ainda é rápido e ágil, e os controles respondem muito bem.

Um ponto que me agradou bastante é que ACIII é bem mais balanceado que seus predecessores. Perder notoriedade é um pouco mais difícil e acumular dinheiro não é tão fácil quanto em ACII/ACB/ACR, que por essas facilidades apresentavam pouco desafio. Os inimigos também são mais espertos exigem mais táticas para serem vencidos, além de se apresentarem em maiores números para Connor eliminar. A falta de facções especializadas como as Cortesãs dos jogos de Ezio também é bem vinda, por gerar menos esconderijos móveis para o jogador, fornçando-o a usar mais o ambiente para locomover-se de forma incógnita. A montagem de bombas de ACR dá lugar a um bacana sistema de Crafting que gera itens e recursos para a “Home” de Connor, mas não é nada indispensável. Outra adição bacanas ao gameplay está na forma de caçar, que em parte lembra Red Dead Redemption, embora um pouco mais profundo, com colocação de armadilhas e procura de rastros de suas presas.

Nenhuma adição é tão divertida, porém, quanto a batalha naval. Com o transcorrer do jogo, Connor terá acesso a um navio de batalha bem equipado e poderá navegar na costa americana, entrando em combate com outros navios e explorando áreas longe de Boston e Nova Iorque. Os comandos são intuitivos, as missões são agradáveis e variadas e jogar com o navio é simplesmente divertidíssimo. Não exagero em dizer que a batalha naval de ACIII poderia facilmente gerar um jogo inteiro à parte, o qual eu compraria de olhos fechados.

Outro elemento melhorado são as partes jogáveis com Desmond. As desagradáveis sessões em primeira pessoa de ACR são substituídas por Desmond finalmente fazendo o que esperamos tanto para ele fazer: agir como um Assassino. Usando as habilidades adquiridas com Altair, Ezio e Connor, Desmond é uma tremenda máquina de matar e explorar, e os locais visitados com ele divertem pela pura mudança de ares em relação à aventura de Connor – existe até um momento em que Desmond vem para o Brasil, bem no meio da noite de um evento de MMA.

Outra mudança que me agradou é que os mapas de ACIII são bem mais limpos que os de ACB e ACR, contendo MENOS formas de diminuir notoriedade espalhadas, MENOS lojas, MENOS colecionáveis agrupados. Não se engane: ACIII ainda tem muito o que fazer de extra para aqueles que buscam 100% de sincronia com Connor, mas possui bem menos elementos repetidos ofuscando sua visão do mapa.

Nem tudo são flores, contudo. A interface de usuário (IU) de ACIII é lerda, e muito incômoda quando se tenta acessar o menu de armas ou de Assassinos em meio ao jogo. A razão disso é um mistério, já que desde ACII a roda de seleção de armas era um pop-up instantâneo na tela, ao invés da atrocidade feita em ACIII – por mais que a Ubisoft diga que este seja um problema visto nas fases finais do desenvolvimento, ele simplesmente não tem razão de existir, já que a solução está presente desde 2009. Além disso, o mapa também não é dos melhores e a sincronização dos viewpoints, inexplicavelmente, NÃO mais abre todo o mapa, exigindo desagradáveis horas de perambular sem sentido pelas áreas jogáveis apra preencher o mapa. Nenhuma dessas falhas é grave, mas a IU ruim, em especial, é incômoda.

ACIII utiliza-se da nova engine gráfica da Ubisoft, chamada AnvilNext. A nova engine é bem mais amigável ao PS3 que a antiga, resultando em um frame-rate consideravelmente estável e suave. As áreas dentro das cidades consistentemente rodam na casa dos 30fps, mesmo durante combates ou regiões densas em efeitos de fogo, luz e/ou partículas. Já na região da Frontier, o frame-rate é surpreendentemente mais suave, rodando acima dos 30fps (mas ainda abaixo dos 60, provavelmente algo em torno dos 45 a 50 fps). Além do frame-rate suave, o jogo é tecnicamente muito competente, com belas texturas e modelagem excelente de personagens e ambientes. As animações são especialmente bem-feitas, com um destaque especial para Connor, que se move entre galhos e troncos de árvores com uma naturalidade e suavidade incríveis. Por fim, o clima do jogo agora é randomizado com chuva, e determinados períodos da história, por se passarem no inverno, deixam os ambientes com grossas camadas de neve que dificultam os movimentos de Connor. O custo do poderio gráfico vem na forma de loadings, que são frequentes e podem incomodar quando uma sequencia for repetida muitas vezes.

Do ponto de vista artístico, ACIII é consideravelmente mais “cru” que seus 3 últimos antecessores, muito em parte porque o novo setting é muito mais selvagem que a Itália renascentista e a Constantinopla exótica de ACII/ACB/ACR. A colônia britânica não tem os floreios e glamour das cidades anteriores (das quais Roma, de ACB, ainda é um show à parte), resultando em ambientes menos verticais e menos construções únicas – até mesmo os viewpoints para sincronizar são, por vezes, em locais estruturalmente idênticos. A região da Frontier, porém, é incrivelmente vasta e possui bem mais verticalidade que as cidades de ACIII, com colinas e penhascos de tirar o fôlego. Vale lembrar que o jogo ainda possui funcionalidade em 3D, para alegria dos que apreciam o recurso.

Toda essa beleza não quer dizer, porém, que o jogo seja isento de bugs e glitches gráficos. Na verdade, estes não faltam ao jogo e são facilmente o ponto mais depreciativo do título. De objetos flutuantes a fechaduras mal encaixadas e animais presos em cercas, meu tempo com ACIII teve incômodos gráficos suficientes para incomodar. Não que o jogo seja uma maré de bugs a se perder de vista, mas estes estão em números suficientes para chamar a atenção, mesmo com o patch corretivo lançado.

A dublagem dispensa comentários. A série AC sempre possuiu uma dublagem magnífica e ACIII não foge à regra. Contando com dubladores nativo-americanos como Noah Watts dando vida a Ratonhnhaké:ton e Kaniehtiio Horn dublando Kaniehti:io, sua mãe. Além deles, temos os tradicionais Danny Wallace, Eliza Jane Schneider e John de Lancie reprisando seus papéis anteriores como Shaun, Rebecca e William, sem esquecer o onipresente Nolan North dublando o personagem principal, Desmon. De todas as vozes, porém, as que mais me marcaram foram o tom monótono de Roger Aaron Brown dublando Acchiles Davenport e a interpretação soberbaque Neil Napier faz do General Charles Lee, verdadeiramente marcante. Vale ainda ressaltar que ACIII possui legendas em português brasileiro e receberá uma dublagem em nosso idioma via patch futuramente.

A trilha sonora, desta vez, não é composta por Jesper Kyd, mas por Lorne Balfe, que ajudou nas composições de ACR. Por pura questão de gosto pessoal, aprecio o trabalho de Kyd mais e gostaria que ele se mantivesse à frente de ACIII, mas o trabalho de Balfe não é de forma alguma ruim e merece ser apreciado.

No que concerne o Multiplayer, tivemos poucas mudanças. O grosso do multi ainda é o mesmo – sozinho ou em grupo, você deve caçar e eliminar outros jogadores enquanto foge e engana seus perseguidores. Há alguns modos novos e as skins de personagens são novas, mas no geral, se você jogou o multiplayer de ACB e ACR, estará em casa. Não existe nenhum outro multiplayer similar no mercado (exceto, claro, por ACB e ACR) O destaque fica para o novo modo Wolfpack, em que os jogadores atuam de forma cooperativa para eliminar alvos NPC no mapa. Trata-se de uma espécie de Horde Mode feito aos moldes do multiplayer de AC, sendo uma ótima pedida para quem não gosta de jogar competitivamente.

Todas as mudanças de ACIII, porém, são mínimas quando vistas junto ao todo. O jogo em si não é uma evolução gritante em relação aos antecessores como foi de ACII para o primeiro. Este talvez, seja o maior problema com sequências anuais: a diminuição do impacto de mudanças. Fossem ACB e ACR inexistentes e suas mudanças – multiplayer, botão para arma secundária, kill streak etc. – apresentadas somente em ACIII, ao invés de diluídas entre três títulos, o impacto seria muito maior e talvez chamasse mais atenção de novos fãs para o título. Ademais, ACIII é excelente e merece ser conferido por todos – dado que não estejam saturados da franquia e estejam por dentro do ótimo enredo da série.

— Resumo —

+ Enredo excelente.
+ Mundo vasto e muito bem construído.
+ Personagens carismáticos.
+ Batalha naval.
+ Dificuldade balanceada.
+ Multiplayer ímpar.

Bugs e glitches incômodos.
IU lenta.
Nenhuma melhora significativa em relação aos antecessores.

95%