AnálisesPS3

Ace Combat: Assault Horizon

Análise

NOME: Ace Combat: Assault Horizon
FABRICANTE: Project Aces
PLATAFORMA: ps3
GENERO: Ação
DISTRIBUIDORA: Namco Bandai Games


LANÇAMENTOS
14/10/2011 14/10/2011 13/11/2011


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Definição HD: 1080p

Jogadores: 1; 2-16 (Online)

Headset

Troféus


Para os que não sabem, Ace Combat nasceu junto ao PlayStation, e o primeiro jogo da série, Air Combat, foi um dos títulos de lançamento do videogame da Sony, em 1994. Ace Combat: Assault Horizon (AH) é o décimo-segundo título da série, e o primeiro a sair no PS3. Buscando reinventar a série após tantos lançamentos, a Namco e seu Project Aces fizeram reformulações na história e jogabilidade – e nem todas foram boas como se esperaria.

O enredo de AH foi criado pelo autor Jim DeFelice (você talvez não conheça o nome, mas já deve ter ouvido falar de um de seus trabalhos mais famosos, Rogue Warrior), e passa-se no mundo real. O foco é a disputa entre as forças da NATO e um grupo rebelde russo, que conseguiu uma arma de destruição em massa chamada Trinity. O ás dos rebeldes, Coronel Andrei Markov, age também como um dos líderes do grupo, enquanto o jogador assume o papel primário do Coronel William Bishop, capitão do Warwolf Flight, e o ás da NATO. Outros personagens, como o piloto de helicópteros Capitão Doug Robinson, o atirador James Mitchell e a Major Janice Rehl também são controláveis durante a campanha.

Russos, armas de destruição em massa, controlar múltiplos personagens… Se tudo soar “Call of Duty” demais para você, não se assuste – o enredo inteligente e de aspecto mais filosófico dos Razgriz ou do Demon Knight Of The Round Table, nos continentes fictícios como Yuktobania, Erusia e Osea foi substituído por algo genérico situado no “mundo real”. Jargões militares são usados abundantemente, os personagens não tem carisma e tudo parece ter sido feito tão “nos moldes” para agradar os fãs de FPSs modernos que se torna insípido e previsível. Até mesmo o personagem James Mitchell usa uma máscara com desenho de caveira, sendo impossível não nos remeter a Ghost, de Modern Warfare 2. Não é uma mudança de foco que, particularmente, me agrada, e é decepcionante ver o enredo de Ace Combat decair de forma tão degradante.

O gameplay de AH também recebeu suas devidas mudanças, mas nem todas são de bom grado. A primeira diferença que se nota é que a barra de dano do avião se foi – sua energia agora se regenera automaticamente (exceto pela dificuldade Ace, em que não há recuperação de energia). Aliado a um sistema bem melhor de checkpoints, isso faz o jogo fluir um tanto melhor, mesmo que leve a momentos extremamene bizarros, como você cair de ponta no mar e seu avião simplesmente alçar vôo de novo, com você apenas recebendo dano ao invés de falhar a missão.

A maior novidade, porém, fica por conta do Close Ranged Assault, ou CRA. CRA é dividido em DogFight Mode (DFM, para alvos aéreos) e Air Strike Mode (ASM, pasa alvos terrestres). Ao se aproximar d eum alvo, um círculo verde o rodeará, e com isso você pode apertar L2 e R2 juntos para ativar o CRA. Basicamente, CRA coloca o jogador “na cola” do inimigo à frente, e você se move mais ou menos na mesma linha que ele, mantendo-se sempre atrás. Isso permite, por sua vez, que você dispare mísseis de grande precisão para abater o seu alvo, ou que ande em um linha reta para eliminar alvos terrestres mais facilmente. o DFM, porém, pode ser contra-atacado se você se mantiver muito perto do oponente, então existe sempre um certo risco ao se perseguir inimigos. O CRA não é algo opcional, e alguns alvos do jogo só podem ser destruídos quando em CRA. Felizmente, esta é uma das adições boas de AH, e é algo que eu gostaria de ver em futuros lançamentos da série.

O que eu não quero ver de volta, de forma alguma, são as missões fora dos caças. Além de pilotar jatos com o Coronel Bishop, você também terá algumas missões em que usará helicópteros, turrets e até um AC-130 (e olha Modern Warfare aí de novo…). Vamos por partes. As missões de turrets e a do AC-130 são experiências totalmente “on-rails”, o que por si só já merece ressalvas. Para piorar, elas se estendem demais e não oferecem variação alguma de gameplay, tornando-se rapidamente enfadonhas. As missões de Helicópteros são extremamente simplistas e consistem apenas em eliminar alvos sucessivamente, não havendo, de novo, qualquer variedade.

A falta de variedade infelizmente se estendem para as missões a jato também. Ace Combats anteriores possuíam infiltrações em baixíssima altitude, escoltas, fugas e até mesmo missões no espaço. AH não possui nada disso, e o máximo de variedade vem em uma missão na qual você deve evitar radares, e mesmo isso é reaproveitado de um AC anterior, e executado de forma muito pior.

Dando os dévidos créditos a quem merece, porém, a jogabilidade continua ótima. Os caças respondem bem e as lutas, no geral, são rápidas e divertidas. Infelizmente, no geral, as missões consistem de dogfights atrás de dogfights, e como as missões fora dos caças enjoam rapidamente, o jogo sofre muito com essa falta de variedade. O fato de algumas missões serem excessivamente longas também não ajuda.

O melhor de AH, para mim, é o modo online. Sem o enredo sem graça e as missões alternativas chatas para atrapalhar, e esperando-se nada mais que perseguições aéreas fenomenais, o modo Online é ótimo, embora conte com apenas 3 modos de jogo. Deathmatch e Conquest dispensam apresentações e são exatamente como se espera – mata-mata desenfreado com até 16 jogadores e um modo de dominação pelas fases do jogo. Capital Conquest é um modo um tanto diferente, e meu favorito, em que se deve destruir a base inimiga enquanto se protege a própria.

O jogo também conta com um modo Co-Op, mas a implementação deste é vergonhosa. As missões cooperativas são apenas as missões da Campanha jogadas em dupla ou trio. Seria muito interessante se pudéssemos jogar entre o modo solo e cooperativo livremente (fazer, por exemplo, a missão 1 em vôo solo, a segunda com 3 jogadores, a terceira com 2 e assim por diante), mas estas missões são destravadas apenas com o prosseguir da Campanha. Pode ser algo pessoal, mas eu não consigo conceber a ideia de se terminar uma fase para destravar ela mesma.

Não bastasse isso, o Multiplayer, por mais divertido que seja, é pouquíssimo povoado. Eu gostaria muito de ter jogado mais para fazer esta análise, mas há uma dificuldade imensa em se conseguir uma partida em AH, em qualquer dos modos. O modo cooperativo eu consegui jogar apenas após montar uma sala e esperar nada menos que trinta minutos. Este é um recado para as produtoras que literalmente enfiam Multiplayer em todos os jogos, com a esperança de aumentar sua vida útil: não adianta você ter um modo online se ninguém joga, e ninguém vai deixar de jogar os grandes shooters do momento para jogar outro jogo menos popular. Multiplayer, a benção e a maldição de AH e de vários outros jogos recentes.

O espetáculo visual de AH, porém, é de fazer inveja – contanto que você não repare muito nas texturas do chão. Os prédios são bem construídos, mas as casas e outras construções menores são estouradas e praticamente sem detalhe algum, além de parecerem não ter altura alguma. Nos céus, porém, o jogo brilha: a luz é impressionante, os jatos são belíssimos e as explosões são de tirar o fôlego. Os efeitos de fumaça são muito bons, bem como os da turbina do avião quando se ativa os afterburners. A destruição dos jatos é particularmente notável, com pedaços voando de forma impressionante e o óleo vazado do caça dando a impressão de se tratar de sangue – uma verdadeira carnificina aérea.

AH também não deixa a desejar no seu trabalho sonoro. Como é de praxe da série, a OST é excelente e a atuação de voz é ótima. O script, infelizmente, não segue a mesma linha e deixa a desejar, com linhas que soam mais Call of Duty do que o jogo único que era Ace Combat.

AH não é perfeito e fãs da série podem torcer o nariz para algumas das mudanças implementadas, mas a jogabilidade continua excelente, e o combate melhorado com CRA só adiciona ao jogo. Talvez se AH fugisse mais do estilo Call of Duty e se mantivesse mais fiel à série, com maior variedade de missões e uma narrativa interessante, o jogo se saísse muito melhor. É um produto competente, mas não está à altura da série.

— Resumo —

+ Espetáculo áudio-visual de fazer inveja
+ CRA adiciona em muito à jogabilidade
+ Online divertido

Ambientação no mundo real e outras mudanças podem desagradar fãs de longa data
Enredo sem sal
Missões fora dos jatos são chatas
Modo cooperativo mal-implementado
Pouca variedade de missões
Online pouco povoado

72%