AnálisesPS3

007 Legends

Análise

NOME: 007 Legends
FABRICANTE: Eurocom
PLATAFORMA: ps3
GENERO: Tiro em Primeira Pessoa (FPS)
DISTRIBUIDORA: Activision


LANÇAMENTOS
19/10/2012 19/10/2012 Não disponivel


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Nº de Jogadores: 1-4 (2-12 Online)

Definição: 720p

Downloadable Content (DLC)

Headset

Troféus

Também disponível na PlayStation Store (7.84 GB)


James Bond comemorou 50 anos nos cinemas em 2012. Para aproveitar a ocasião, os fãs receberam o excelente “Skyfall”. Desde GoldenEye 007 no Nintendo 64, James Bond se tornou também um ícone popular nos videogames. Mas 007 Legends consegue comemorar essa ocasião especial? Nem de longe.

Produzido pela já extinta Eurocom, 007 Legends possui apenas cinco missões, cada uma baseada em um filme do espião: Goldfinger, A Serviço Secreto de Sua Majestade, Licença para Matar, Um Novo Dia para Morrer e Foguete da Morte. Via DLC gratuito, a missão baseada em Skyfall pode ser jogada. Para explicar essas missões aleatórias, a história do jogo é simples: se você viu “Skyfall”, sabe que James leva um tiro após uma perseguição. Nesta queda, ele “relembra” essas cinco missões.

Antes de falarmos sobre o jogo em si: convenhamos, as escolhas foram as piores possíveis. Tirando Goldfinger, os filmes selecionados estão entre os piores do espião. É óbvio que estou entrando em outro campo aqui, mas se o filme já não é excelente, como a missão baseada nele será?

Com uma equipe competente, qualquer coisa é possível. Porém, a mediocridade reina aqui. As cinco missões são sempre idênticas: infiltre um local com a ajuda da “Bond Girl”, faça o scan da sala do vilão para procurar evidências que o culpe de seus atos terroristas ou planos de destruir o mundo, escape de centenas de inimigos (sim, centenas – isso aqui virou Call of Duty de um homem só – e que 80% deles morrerão com a mesma animação da mão no peito, vale ressaltar), lute com o comparsa (Oddjob, por exemplo, ou Jaws) e depois vá atrás do vilão para matá-lo. Em duas vezes em todo o jogo, você controlará veículos para perseguir o vilão/capanga. A jogabilidade do veículo é a mais simplória possível.

O início baseia-se em furtividade. É interessante, mas acredite: é mal planejado. Só existe praticamente um caminho certo, não deixando você ser livre para explorar diversas opções. Mas não importa, pois se os inimigos descobrirem sua presença, basta você trucidá-los. A vida do jogo segue o esquema dos FPS modernos, mas existe um modo “clássico” (sem a possibilidade de recuperar automaticamente, se ficar sem levar tiro por um tempo). Porém é tão difícil, que você só vai querer usá-lo se decorar muito bem a fase. É como se os produtores tivessem jogado o modo ali para tentar agradar os saudosistas, mas nem se deram ao trabalho de balancear.

Já as lutas com os capangas (e alguns dos vilões) são ridículas. São QTEs disfarçados. Você fica cara a cara com ele e ataca usando os dois analógicos (para cima ou para baixo, ambos). O jogo indica onde o vilão não está defendendo e basta você pressionar para aquela direção. Isso é tão tosco que a animação de você enfrentando o Jaws e um outro qualquer é a mesma. E isso vai além: depois de tirar uma barra de vida com esse sistema, o inimigo sempre pega uma arma branca, que você deve desviar apertando algum botão e depois desarmá-lo pressionando X diversas vezes.

O single-player ainda possui a opção de upgrades para seus acessórios e armas (como um zoom melhor, etc). O XP é ganho fazendo mini-desafios como matar inimigos com aquela arma ou simplesmente completando os objetivos. Você vai ganhar diversos pontos de experiência sem perceber. Quanto aos objetivos, existem dois: os principais, que são necessários para acabar a fase, e os secundários opcionais, que só estão vinculados aos troféus do jogo – como colocar uma bomba em um caminhão específico, por exemplo. Existem também colecionáveis para destravar perfis em uma opção no menu principal.

O uso dos acessórios, no entanto, é um pouco interessante. O celular possui três funções diferentes: uma que escaneia coisas como impressões digitais, outra que possibilita hackear (aí você entra em um pequeno mini-game) e outra que simplesmente tira fotos. No decorrer do game você também pode usar o relógio, assim como dardos.

Como um ponto positivo, vale destacar a reinterpretação mais atual dos filmes, que vai além de Daniel Craig como James Bond. São pequenos detalhes, como pegar informações em um pen drive em uma época em que os produtores do filme, sem dúvida, nem sabiam o que era isso.

Mas nada disso adianta se o gameplay é entediante e repetitivo. Outra coisa que existe em todo FPS atual é o fato do jogo mostrar claramente para onde você deve ir. Em um jogo de espionagem, deveria ser possível ao menos desligar isso, mas não é. Você ficará sabendo para onde deve ir o tempo todo.

Por ser DLC gratuito, vale falar também um pouco da missão de Skyfall: curta e ridícula. Para quem viu o filme, saiba que é a perseguição inicial com uma sequência de moto que é praticamente automática, além de uma batalha contra esse mesmo cara que James persegue em um prédio. A batalha não tem quase nada a ver com o filme e o inimigo é praticamente um deus – a vida dele é enorme. Para um jogo que deveria, ao menos, honrar o novo filme, esta missão é uma piada completa.

Para encerrar o falatório do single, gostaria de deixar claro que os gráficos são ruins. Se você jogou GoldenEye 007 Reloaded (e que não analisamos, mas fizemos um stream – aqui – e você pode ler a análise do Wii Brasil clicando aqui), saiba que são os mesmos gráficos. No caso de GoldenEye, é justificável – afinal, é um simples port de Wii. Mas no de 007 Legends não. Não há justificativa.

O som apenas cumpre seu papel. As músicas de James Bond são usadas em todo canto, então não tem erro. Mas não espere composições originais que se destaquem.

Excluindo o single-player decepcionante, temos o modo multiplayer. Existe a possibilidade de jogar offline com 4 pessoas. Infelizmente, não pudemos testar – o jogo não aceita controles USB, apenas Dual Shock 3. Portanto, testamos apenas com duas pessoas. E é um pouco decepcionante. Os gráficos – que já não são bons no single – ficam ainda piores. Em quatro jogadores deve ficar ainda pior a situação. Mas em uma época que multiplayer de tela dividida entre quatro pessoas é raro, talvez esta seja a melhor característica de 007 Legends.

O multiplayer local ainda possui modificadores que possibilitam variar a experiência, desde coisas simples como o tempo e limite de pontos, até a vida dos jogadores e o uso de radar. Há 8 mapas e uma variedade enorme de personagens.

Já o online permite disputas para até 12 jogadores, dependendo do modo escolhido. São eles: Legends (jogue com os vilões/capangas clássicos de James Bond), Team Conflict, Conflict (clássico Deathmatch), Golden Gun (está escondida no cenário e quem pegar pode matar pontuar), Escalation (comece com uma arma simples e vá “evoluindo” conforme obtém mortes), Heroes (um membro do time é um “herói”, possuindo mais vida e que todos da equipe rival vão mirar), Icarus (capturar PCs ao invés de bandeiras), Black Box (uma equipe deve capturar a caixa preta, enquanto que a outra deve destruir), Data Miner (deve-se baixar um arquivo e previnir que os outros façam isso; pegue o celular dos outros para acelerar o processo), Bomb Defuse (destrua a base do outro, mas há apenas uma bomba para pegar) e, por fim, Licence to Kill / Team Licence to Kill (modo está travado até o lv20, por isso não o descreveremos).

O online oferece uma experiência interessante, mas no mapa mexicano tivemos problemas com framerate. Pode ser lag, mas acreditamos que seja framerate pelo modo de como o jogo se comportou. De qualquer forma, não existe um diferencial no multiplayer online de 007 Legends que fará você largar o seu Battlefield 3 ou Call of Duty. O modo “Legends”, que poderia agradar por permitir jogar com os vilões, é totalmente desbalanceado. Scaramanga tem a Golden Gun quando dá respawn e acho que nem preciso comentar que quem pegar ele terá muitas chances de vencer. O clássico Oddjob minúsculo nem se compara com o fato de nascer com uma Golden Gun. Se você ainda tiver a chance de derrubá-lo, a Golden Gun só terá uma única bala quando você a pegar do chão.

Por fim, temos os “Challenges”. Pense em um modo “Spec Ops” de Call of Duty em 007 Legends, mas sem o seu principal atrativo: o cooperativo. Sim, são missões solitárias com trechos do single-player e que você deve completar no menor tempo possível e obter a maior quantidade de pontos que conseguir, baseando-se em modificadores como a sua vida, inteligência dos inimigos, etc.

No “Challenge”, porém, metade dele permite que você faça os desafios controlando os capangas dos vilões, como Oddjob. É algo criativo, mas que pouco adiciona ao pacote em si – são poucas missões.

007 Legends é uma completa decepção. Curto (a campanha dura menos de 6 horas), repetitivo, sem criatividade por parte dos produtores, piores momentos de James Bond reproduzidos no game, multiplayer sem inovações e que ninguém jogará por muito tempo, gráficos ruins e assim por diante. Isso tudo sem contar a ausência de legendas – até mesmo em inglês. Passe longe, mesmo se você for fã.



— Resumo —


+
Multiplayer local com várias opções e até 4 jogadores


+
Reinterpretação atual de missões antigas de James Bond e uso de acessórios





Gráficos





Curto





Repetitivo





Falta de criatividade dos produtores





Missão de “Skyfall” é horrível





Modo “clássico” é desbalanceado





Batalhas “cara a cara” são ridículas





Multiplayer online não possui nenhum ponto interessante

30%