ChromaGun 2: Dye Hard é um daqueles casos de sequência que faz um revival após bastante tempo. O primeiro ChromaGun acabou de completar 10 anos e isso até pode não parecer muito, mas é um hiato longo o bastante para tornar a continuação um tanto inesperada.
A gameplay gira em torno de puzzles em primeira pessoa, os quais resolvemos no controle de um testador de longos e perigosos experimentos coordenados por personagens sádicos, uma combinação que logo nos faz lembrar de Portal. A ideia que sustenta os quebra-cabeças é baseada em cores com atração magnética entre suas iguais. Quer dizer, um painel vermelho atrai a si um robô também vermelho, uma invenção da física nomeada “cromatismo magnetoide”.
Para manipular esses elementos, empenhamos o objeto que dá nome ao jogo, a ChromaGun. Disparando as três cores primárias (vermelho, azul, amarelo), ela é capaz de fundi-las em mais três cores secundárias (roxo, verde, laranja), o suficiente para a dinâmica central de atrair, direcionar e conduzir coisas de mesma cor. Felizmente para os daltônicos, o jogo atenta à importância de acessibilidade e oferece a opção de usar símbolos compostos para distinguir as diferentes cores (veja na imagem abaixo como o símbolo do roxo corresponde à soma do vermelho e o azul).
Normalmente, os objetivos envolvem levar robôs esféricos até botões para ligar a energia, abrir portas, acionar elevadores, destruir pisos eletrificados ou simplesmente sair do nosso caminho. Um ponto interessante é que comumente precisamos acionar mais de uma fonte de cor para exercer força vinda de diferentes direções sobre um mesmo objeto para que ele fique equilibrado exatamente no local necessário (como na imagem acima). Assim, um puzzle após o outro, abrimos passagem e avançamos na história.

A história em si é simples, sendo basicamente o que já descrevi no segundo parágrafo. O que dá vida a ela é a sátira das relações de trabalho: a ChromaGun é desenvolvida por uma grande companhia de intenções suspeitas e um líder dado a contratos de loops infinitos que praticamente dão à empresa a posse de seus contratados. Não demora a vermos que há muito sadismo e soberba nesse homem; ou melhor, não demora a ouvirmos, pois sua voz ressoa pelos laboratórios de teste o tempo todo.
Como nosso testador é um anônimo silencioso, as falas são monólogos irônicos e zombeteiros que nos acompanham nos puzzles, mudando de tom para a agressividade perante a suposta rebeldia que nosso personagem exibe ao tentar fazer seus próprios caminhos, saindo dos trilhos determinados. É claro que essa saída é apenas narrativa, pois a estrutura é inteiramente linear e não nos dá opções para escolher direções ou puzzles, de forma que, na prática, sempre estamos nos trilhos determinados pelo jogo.

A única variedade está nos locais secretos que escondem ChromaGuns douradas, um colecionável que às vezes é até fácil de achar, mas, em muitas outras, é bem escondido — acabei deixando vários passar sem nem perceber.
Logo uma segunda vilã surge na história, ainda pior que o primeiro, mas a dinâmica de experimentador sádico e sua cobaia em perigo continua. O texto em si já dá personalidade a esses dois personagens, mas são suas vozes completamente dubladas que lhes dão mais cores, sabendo passar por diversos tons, do enganosamente amigável ao passivo-agressivo, da arrogância desdenhosa à crueldade recreativa, transmitindo um forte senso de ameaça vindo de pessoas que se fazem presentes por suas vozes.

Com o avançar da campanha os cenários vão ganhando toques de psicodelia e os puzzles vão ficando mais elaborados. Um problema é que os locais também aumentam e, às vezes, podem ficar complicado de se situar neles, especialmente quando temos que dar voltas para um mesmo puzzle. Alguns enigmas resolvidos recentemente continuam abertos, o que pode contribuir para nos sentimos perdidos de vez em quando. O salvamento automático é pouco abrangente e houve momentos em que me forcei a continuar um puzzle porque o último salvamento havia ocorrido 20 minutos antes e, embora tivesse a intenção de sair do jogo, eu não queria perder o progresso.

Além disso, achei a linearidade da campanha desestimulante por nos amarrar a uma única forma de avançar, sem dar opções de tentar outro quebra-cabeça quando estamos com dificuldade no atual. Por isso, senti momentos de cansaço e isso ofuscou a graça de ChromaGun 2, que é, no fim das contas, um bom jogo de puzzles em primeira pessoa, embora não se destaque em seu meio.
ChromaGun 2: Dye Hard está disponível para PS5, Xbox Series, Switch 2 e PC com legendas em português do Brasil. Esta análise é da versão PS5 e foi realizada com um código fornecido pela PM Studios.




